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    1. Falta de quórum transfere assembleia do Caxias

      10/06/2010 por O Caxiense

      A assembleia geral, convocada para analisar mudanças no estatuto da S.E.R. Caxias e eleger a nova diretoria executiva, foi cancelada devido a um número insuficiente de sócios. Pelas regras do clube, são necessários pelo menos 100 sócios na assembleia para votação de mudanças no estututo – nesta quinta-feira, havia um número inferior.

      >>> PODCAST: Escute os comentários da Redação sobre a dupla CA-JU

      >>> Juvenis do Caxias empatam com o Grêmio

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      Com isso, uma nova assembleia geral deve ser convocada, por meio de publicação de edital em jornais locais. Ainda não há data definida para essa nova reunião. Até lá, Osvaldo Voges permanece com a atual equipe de trabalho, e Ovídio Deitos segue à frente do Conselho Deliberativo.

      Publicado às 20h21 de 10 de junho de 2010.

      Categoria: Esportes, Geral | Tags: Caxias,futebol,Voges | Nenhum comentário
    2. Assembleia decide na quinta permanência de Voges

      08/06/2010 por O Caxiense

      O atual presidente do Caxias, Osvaldo Voges concorre a um segundo mandato. No comando desde 2007, Voges tem a simpatia de torcedores e conselheiros e deve ser reeleito.

      A eleição ocorre na quinta-feira, em assembleia geral, no Salão Nobre do Estádio Francisco Stedile.

      Integram a chapa do atual presidente, Osvaldo Voges, os vices Zoilo Floro Simionato, Rudimar Pontalti, Volnei Marzotto e Valdecir Bersaghi.

      Para o Conselho Deliberativo, Alceu Fassbinder é o candidato a presidente e Nelson Rech, a vice.

      >>> LEIA TAMBÉM: Osvaldo Voges é o homem de ferro na recondução do Caxias aos trilhos da vitória |

      A atual direção também apresentou ainda algumas mudanças nos estatutos da S.E.R. Caxias, que devem ser votadas na assembléia. A proposta prevê uma redução do tempo do mandato do presidente, de três para dois anos, e a realização do processo sucessório no final do ano, e não no meio da temporada, como ocorre atualmente.

      Foto:  Voges deve ser reeleito | Crédito: Maicon Damasceno/O Caxiense

      Publicado às 08h53 de 9 de junho de 2010.

      Categoria: Esportes, Geral | Tags: Caxias,futebol,Voges | Nenhum comentário
    3. Voges transfere fundição do Centro

      24/05/2010 por O Caxiense

      A Fundição Voges, que ocupa as instalações da antiga Maesa, terá nova estrutura fabril a partir do próximo ano. A operação será transferida para o Distrito Industrial, junto à sede campestre do grupo. O prédio erguido em 1947, no Bairro Exposição, será desocupado integralmente até 2013.

      Para consolidar a mudança o Grupo Voges confirmou investimento de R$ 50 milhões na construção de nova fundição, que terá capacidade para a produção anual de 66 mil toneladas, o dobro dos volumes atuais. O empreendimento vem ancorado pela aquisição de uma fundição finlandesa, responsável por qualificar fabril e tecnologicamente a operação.

      Nesta segunda-feira, 24, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), anunciou a liberação de licença prévia de construção, que permite iniciar o encaminhamento dos projetos. Após, a empresa aguardará a licença de instalação, para então dar início às obras na área autorizada.

      A nova fundição terá área construída de 12 mil metros quadrados contra 30 mil atuais. Ocorre que nestas instalações o layout exige espaço para a movimentação de peças e os equipamentos antigos ocupam área maior. A nova estrutura foi projetada com fluxo otimizado e equipamentos modernos, garantindo melhor aproveitamento das instalações. O prédio antigo, hoje locado, ficará com a sua proprietária, a Mundial.

      O Grupo Voges, que também atua no mercado de motores elétricos e inversores de frequência em parceria com a americana Emerson, projeta receita bruta de R$ 400 milhões para este ano. A fundição, que deverá produzir 32,4 mil toneladas, seu atual limite, representará 25% destes valores.

      Publicado às 17h34 de 24 de maio de 2010

      Categoria: Colunas, Geral | Tags: Economia,Roberto Hunoff,Voges | Nenhum comentário
    4. Sangue alemão no comando grená

      09/01/2010 por O Caxiense

      Osvaldo Voges é o homem de ferro na recondução do Caxias aos trilhos da vitória |
      De um lado, uma linha de montagem com centenas de pessoas trabalhando como uma orquestra, em compasso, faça chuva ou sol, religiosamente, os produtos saem embalados e etiquetados para ganhar o mundo. De outro, um gramado verde, a céu aberto, milhares de pessoas ao redor de uma arena com onze homens e um só destino: vencer. Na indústria, o som da lida com o aço dá ritmo ao pensamento, mantém o olho atento ao projeto, ao mais minucioso detalhe. Não há espaço para nenhum improviso.
      No campo, por mais confuso que pareça, pelo menos ao olhar mais banal, aqueles onze homens seguem uma só ordem. Tática, conceitos de guerrilha, como contra-ataque, seja a nomenclatura que for, todos eles obedecem a um ordenamento. Mas aí, do nada, como um relâmpago num dia mais ensolarado do que nublado, o craque irrompe a barreira da ordem, e como um exímio jazzista conduz a platéia ao delírio.
      “No futebol, conheci um elemento diferente, que não conhecia na indústria: a paixão”, filosofa Osvaldo Voges, 41 anos, diretor-presidente da Voges e há três temporadas presidente da S.E.R. Caxias. Voges não é um daqueles craques que o futebol revelou. Mas tem lutado fora de campo pra dar muitas alegrias ao torcedor grená. “Sou um empreendedor por natureza. Na verdade, não sei bem, talvez seja teimosia de alemão mesmo”, brinca.
      A seriedade é retomada ao explicar por que um empresário em ascensão resolveu ocupar a principal cadeira de um clube cheio de problemas.
      “Como eu tinha comprado as empresas da Eberle, precisava mudar de nome, e resolvi que essa era a melhor estratégia de marketing. Então associei a minha marca à do Caxias”, conta, amparado-se na mesa de uma ampla sala em uma das suas empresas, no bairro São Ciro. Sem cerimônia, enquanto dissertava sobre as primeiras dificuldades de quando assumiu o Caxias, Voges abre o dossiê do clube diante do repórter. “Quer saber quanto o Caxias deve? Está tudo aqui. Esse relatório é feito por uma consultoria independente, a mesma que faz esse trabalho para as minhas empresas”, orgulha-se. “Quando assumi o Caxias um documento do clube dizia que a dívida era de R$ 13 milhões. Então contratei o serviço da auditoria, que descobriu que a dívida era de R$ 24,5 milhões”, lembra. “Não digo com isso que antes alguém roubava no Caxias. Na verdade, encontrei lá um grupo valoroso de abnegados. Mas hoje as coisas são mais transparentes.”
      Voges já investiu no Caxias R$ 15 milhões. Parece muito, mas no mercado da bola, mesmo que inflacionado por estrelas de brilho curto, esse valor não sustentaria um craque mediano do futebol europeu. Mas essa quantia tem um valor diferente, porque o Caxias aponta para figurar entre as poucas equipes do mundo (não é exagero) a zerar suas dívidas. “Não temos mais a sangria desatada de antes, tudo o que temos de dívida está negociado, 90% das nossas contas estão em dia. Faz um ano que não temos mais surpresa de jogador entrando na Justiça cobrando dívida trabalhista. Em três anos, salvamos 12 leilões do Caxias. Já resolvemos 91 processos trabalhistas e nos faltam apenas oito”, garante.
      *
      “No futebol, conheci um elemento diferente, que não conhecia na indústria: a paixão”, diz Voges
      *
      “Quando cheguei no Caxias, não tinha um jogador que queria vir pra cá. Encontrei mais oficial de justiça do que jogador”, brinca. “O primeiro elenco que montei quis receber salário adiantado. Mas felizmente superamos isso. Hoje não temos mais dificuldade para trazer nenhum jogador. É claro, temos nossas limitações, pagamos pouco, mas pagamos.” A conversa era sobre futebol, mas a ênfase foi sempre o dinheiro, orçamento, dívidas, pagamento de tributos. Voges enxerga o Caxias como uma empresa. “Digo pra molecada: ‘se vocês não se derem bem no futebol, sejam metalúrgicos, é uma boa profissão, é uma atividade respeitada, temos até um presidente metalúrgico’”.
      O Caxias não vai ultrapassar um orçamento de R$ 150 mil por mês com folha de pagamento, calcula Voges. “Em 2010, pela primeira vez desde que assumi, vamos usar 50% do orçamento disponível para o futebol. Nos outros anos usávamos até 30%. No ano, devemos investir de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões”, planeja. Com um olho dentro da fábrica e outro no estádio, Voges respira um pouco mais aliviado do que em 2009. Não foram só os problemas do clube que tiraram o sono do industrial. A grave crise mundial assolou também suas empresas.
      “Sei que tinha gente aí falando que eu ia sair do Caxias, mas não é do meu feitio. Como disse antes, é teimosia de alemão. Vou cumprir meu contrato de 15 anos com o Caxias”, promete. Fato é que a crise fez pelo menos uma baixa significativa no time grená: “Tu achas que se eu estivesse bem aqui na empresa eu teria perdido o Marcos Denner no melhor momento do Caxias na Série C? Pô, o Juventude ofereceu R$ 10 mil a mais para o cara e ele foi. Mas se eu tivesse mais equilibrado, como estamos agora aqui na empresa, eu não teria perdido o Denner de jeito nenhum”.
      Mesmo com a economia reaquecida, Voges decidiu retirar o nome da sua empresa do uniforme grená. Novamente surgiram rumores de que o empresário sairia pela tangente. Fofocas à parte, a estratégia era reforçar o caixa do clube, e não apunhalar a torcida pelas costas. O anúncio do investimento do Banrisul dissipou esse nevoeiro. “O valor que o Banrisul vai repassar aos clubes é de R$ 300 mil ao mês. Por enquanto, só para o Gauchão. Mas com possibilidade sim, na teoria, de renovação”, acredita.
      Voges não se constrange em falar de cifras. “Não terei vergonha em ganhar dinheiro com o Caxias. Quando estivermos negociando jogador por R$ 3 milhões ou R$ 4 milhões, vocês serão os primeiros a saber. As empresas de Caxias têm de entender que o clube dá a oportunidade a todos de associarem a sua marca ao time. Eu já invisto em esporte há mais de 10 anos e sei que dá retorno”, defende.
      O problema em revelar os investimentos do clube, segundo o presidente, é atiçar advogados trabalhistas de plantão. “Só o Zé Clei, que jogou uns meses no Caxias, tem uma ação para cobrar R$ 1 milhão. E essa ação não temos como contestar, porque já foi dada a sentença. Tentamos negociar, mas ele está sendo irredutível”, diz, chateado.
      Quando a conversa parecia se esvair nessa ladainha de cobranças judiciais, eis que irrompe na sala uma menina gritando pelo pai. Julia tem quatro anos, é filha do primeiro casamento de Voges. “Diz pro tio que é jornalista o nome do time do papai”, solicita a ela o pai atencioso. “Timão”, responde Julia. Voges, ruborizado, tenta ajudá-la. “Não, filha, ‘timão’ é o time da tua mãe, o do papai é outro. Qual é o time do papai?”, insiste. “Caxias!”, responde finalmente a menina, devolvendo o sorriso ao pai.
      *
      “Quando cheguei no Caxias, encontrei mais oficial de justiça do que jogador”, brinca o presidente
      *
      “A mãe da minha filha é corintiana, a avó dela é são-paulina, mas minha filha é do Caxias. Já levei ela para o estádio e nessa idade as crianças acabam criando uma afinidade com o clube. Aí não perde mais. Tem cara aí que troca de mulher, mas não troca de time”, diverte-se. Voges mudou de ambos.
      A última mudança veio em 2009, na vexatória derrota de 8 a 1 para o Internacional, no Gauchão. E deixou uma lição: “Nunca mais vou contratar jogador por empréstimo com cláusulas em que o cara não possa disputar uma partida contra a sua equipe de origem. Nesse jogo contra o Inter não pudemos contar com jogadores importantes”. Em seguida, Voges admite: “Eu até era torcedor do Inter, mas desde aquela partida eu passei a ser o torcedor mais fanático do Caxias.” É bom lembrar que ele decidiu investir no Caxias por uma estratégia de marketing, e não porque era um fã do clube. Mas esse tempo dentro do Centenário o fez incorporar aquele sentimento ainda tão estranho ao seu universo metalúrgico: a paixão.
      E com paixão, mas sem perder a mão de ferro, o alemão de Roca Sales pretende tornar o Caxias uma marca forte e um clube competitivo. O que para alguns não passa de um sonho, para Voges é mais um desafio. Só mais um, diante de tantos outros que ele já superou ou pretende superar.
      “Sou a favor da globalização. E o Caxias não pode ficar fora disso, tem de abrir essa aldeia. Fui visitar como trabalham quatro dos maiores clubes do mundo, o Real Madrid e o Barcelona, da Espanha, e o Milan e a Inter, da Itália. A fórmula dos caras é a mesma do Manchester United há 15 anos: marketing agressivo, estreita relação com a comunidade e investimento na base para formar e vender”, enumera.
      Dentro dessa cadeia, Voges ainda destaca os trabalhos desenvolvidos por grandes clubes do Brasil que nos últimos anos vêm figurando como os mais competitivos: São Paulo, Cruzeiro, Internacional e Atlético Paranaense. O sonho do presidente é levar o Caxias à Série B. “É o lugar de direito do Caxias. Subir para a B é o nosso principal objetivo do ano. E de vez em quando beliscar uma série A. Mas aí é outro assunto, porque time do interior não tem conseguido sobreviver na Série A. Mas de vez em quando ir lá e beliscar com certeza é possível.”
      *
      “Se tudo der certo este ano e conseguirmos pagar todas as dívidas, eu deixo o cargo”, planeja Osvaldo Voges
      *
      No ano dos 75 anos de fundação do clube, computados aí os tempos de Flamengo, Voges entra em 2010 com o peito aberto e já revela como pretende terminar o ano: “Se não zerar 100% das nossas dívidas, pelo menos vai chegar bem próximo disso. Quero subir para a Série B e o Caxias tem de chegar entre os quatro primeiros no Gauchão. Conquistando isso tudo, vou ficar muito feliz”.
      “A minha maior alegria e satisfação no Caxias até hoje foi ver o estádio lotado no jogo contra o Guaratinguetá, no ano passado. Não ficamos com a vaga, mas foi lindo de se ver”, recorda Voges, mostrando a tela do seu computador com uma foto do Centenário cheio. “Oficialmente dizemos que tinha umas 25 mil pessoas, mas tem gente dizendo que tinha 31 mil, sei lá. Mas aquilo foi uma demonstração de como nossa torcida está madura. Porque podiam ter quebrado todo o estádio. Mas saíram todos silenciosos de lá, não tivemos uma ocorrência registrada, nada”, orgulha-se.
      Esse vínculo com a comunidade, as constantes brigas com a federação por um preço de ingresso mais barato, o investimento na base, as dívidas sendo sanadas, a promessa de um trabalho continuado da equipe técnica, todos esses elementos, acredita Voges, vão tornar o Caxias um time vencedor. “Quem não gosta de investir em time vencedor? O Caxias precisa ser vencedor”, resume. “Nesta semana vou sentar com a Federação Gaúcha para baixar o preço do ingesso. A receita da bilheteria não sustenta um clube como o Caxias. Por isso quero ingresso a R$ 2, R$ 3, e não o mínimo de R$ 10, como deseja a Federação.”
      O Caxias nem entrou em campo ainda, mas já é possível esboçar aonde pode chegar um clube que fora das quatro linhas planeja todos os seus passos. Ainda mais quando seu comandante diz se espelhar em dois dos mais importantes presidentes grenás da história. Dito por Voges: Francisco Stedile e Marcos D’Arrigo. Um pela sua devoção ao clube e por ter construído um estádio grandioso, do nada, em apenas seis meses. O outro porque, driblando as pedras pelo caminho, levou a taça de campeão gaúcho.
      “Meu plano não é ser presidente por 15 anos. Vou continuar a investir no Caxias, mas se tudo der certo este ano e conseguirmos pagar todas as dívidas, eu deixo o cargo. Aí vai entrar alguém para ser presidente no meu lugar”, projeta. Se dentro de campo Voges quer proporcionar alegria aos milhares de torcedores grenás, que parecem ter acordado depois do histórico confronto contra o Guaratinguetá pela Série C de 2009, fora dele Voges sonha em tornar o Caxias uma S.A.. “Imagina o Caxias com um diretor-presidente e vários sócios! Cada um que quiser investir no clube poderá ser sócio”, projeta. Mas, primeiro, o Caxias tem que render em campo. É o que o presidente e todos os grenás esperam começar a ver no próximo sábado, na abertura do Gauchão.
      (da versão impressa)
      Foto: Voges já investiu R$ 15 milhões no clube: “É teimosia de alemão” | Crédito: Maicon Damasceno/O Caxiense

      Osvaldo Voges é o homem de ferro na recondução do Caxias aos trilhos da vitória |

      De um lado, uma linha de montagem com centenas de pessoas trabalhando como uma orquestra, em compasso, faça chuva ou sol, religiosamente, os produtos saem embalados e etiquetados para ganhar o mundo. De outro, um gramado verde, a céu aberto, milhares de pessoas ao redor de uma arena com onze homens e um só destino: vencer. Na indústria, o som da lida com o aço dá ritmo ao pensamento, mantém o olho atento ao projeto, ao mais minucioso detalhe. Não há espaço para nenhum improviso.

      No campo, por mais confuso que pareça, pelo menos ao olhar mais banal, aqueles onze homens seguem uma só ordem. Tática, conceitos de guerrilha, como contra-ataque, seja a nomenclatura que for, todos eles obedecem a um ordenamento. Mas aí, do nada, como um relâmpago num dia mais ensolarado do que nublado, o craque irrompe a barreira da ordem, e como um exímio jazzista conduz a platéia ao delírio.

      “No futebol, conheci um elemento diferente, que não conhecia na indústria: a paixão”, filosofa Osvaldo Voges, 41 anos, diretor-presidente da Voges e há três temporadas presidente da S.E.R. Caxias. Voges não é um daqueles craques que o futebol revelou. Mas tem lutado fora de campo pra dar muitas alegrias ao torcedor grená. “Sou um empreendedor por natureza. Na verdade, não sei bem, talvez seja teimosia de alemão mesmo”, brinca.

      A seriedade é retomada ao explicar por que um empresário em ascensão resolveu ocupar a principal cadeira de um clube cheio de problemas.

      “Como eu tinha comprado as empresas da Eberle, precisava mudar de nome, e resolvi que essa era a melhor estratégia de marketing. Então associei a minha marca à do Caxias”, conta, amparado-se na mesa de uma ampla sala em uma das suas empresas, no bairro São Ciro. Sem cerimônia, enquanto dissertava sobre as primeiras dificuldades de quando assumiu o Caxias, Voges abre o dossiê do clube diante do repórter. “Quer saber quanto o Caxias deve? Está tudo aqui. Esse relatório é feito por uma consultoria independente, a mesma que faz esse trabalho para as minhas empresas”, orgulha-se. “Quando assumi o Caxias um documento do clube dizia que a dívida era de R$ 13 milhões. Então contratei o serviço da auditoria, que descobriu que a dívida era de R$ 24,5 milhões”, lembra. “Não digo com isso que antes alguém roubava no Caxias. Na verdade, encontrei lá um grupo valoroso de abnegados. Mas hoje as coisas são mais transparentes.”

      Voges já investiu no Caxias R$ 15 milhões. Parece muito, mas no mercado da bola, mesmo que inflacionado por estrelas de brilho curto, esse valor não sustentaria um craque mediano do futebol europeu. Mas essa quantia tem um valor diferente, porque o Caxias aponta para figurar entre as poucas equipes do mundo (não é exagero) a zerar suas dívidas. “Não temos mais a sangria desatada de antes, tudo o que temos de dívida está negociado, 90% das nossas contas estão em dia. Faz um ano que não temos mais surpresa de jogador entrando na Justiça cobrando dívida trabalhista. Em três anos, salvamos 12 leilões do Caxias. Já resolvemos 91 processos trabalhistas e nos faltam apenas oito”, garante.

      “No futebol, conheci um elemento diferente, que não conhecia na indústria: a paixão”, diz Voges

      “Quando cheguei no Caxias, não tinha um jogador que queria vir pra cá. Encontrei mais oficial de justiça do que jogador”, brinca. “O primeiro elenco que montei quis receber salário adiantado. Mas felizmente superamos isso. Hoje não temos mais dificuldade para trazer nenhum jogador. É claro, temos nossas limitações, pagamos pouco, mas pagamos.” A conversa era sobre futebol, mas a ênfase foi sempre o dinheiro, orçamento, dívidas, pagamento de tributos. Voges enxerga o Caxias como uma empresa. “Digo pra molecada: ‘se vocês não se derem bem no futebol, sejam metalúrgicos, é uma boa profissão, é uma atividade respeitada, temos até um presidente metalúrgico’”.

      O Caxias não vai ultrapassar um orçamento de R$ 150 mil por mês com folha de pagamento, calcula Voges. “Em 2010, pela primeira vez desde que assumi, vamos usar 50% do orçamento disponível para o futebol. Nos outros anos usávamos até 30%. No ano, devemos investir de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões”, planeja. Com um olho dentro da fábrica e outro no estádio, Voges respira um pouco mais aliviado do que em 2009. Não foram só os problemas do clube que tiraram o sono do industrial. A grave crise mundial assolou também suas empresas.

      “Sei que tinha gente aí falando que eu ia sair do Caxias, mas não é do meu feitio. Como disse antes, é teimosia de alemão. Vou cumprir meu contrato de 15 anos com o Caxias”, promete. Fato é que a crise fez pelo menos uma baixa significativa no time grená: “Tu achas que se eu estivesse bem aqui na empresa eu teria perdido o Marcos Denner no melhor momento do Caxias na Série C? Pô, o Juventude ofereceu R$ 10 mil a mais para o cara e ele foi. Mas se eu tivesse mais equilibrado, como estamos agora aqui na empresa, eu não teria perdido o Denner de jeito nenhum”.

      Mesmo com a economia reaquecida, Voges decidiu retirar o nome da sua empresa do uniforme grená. Novamente surgiram rumores de que o empresário sairia pela tangente. Fofocas à parte, a estratégia era reforçar o caixa do clube, e não apunhalar a torcida pelas costas. O anúncio do investimento do Banrisul dissipou esse nevoeiro. “O valor que o Banrisul vai repassar aos clubes é de R$ 300 mil ao mês. Por enquanto, só para o Gauchão. Mas com possibilidade sim, na teoria, de renovação”, acredita.

      Voges não se constrange em falar de cifras. “Não terei vergonha em ganhar dinheiro com o Caxias. Quando estivermos negociando jogador por R$ 3 milhões ou R$ 4 milhões, vocês serão os primeiros a saber. As empresas de Caxias têm de entender que o clube dá a oportunidade a todos de associarem a sua marca ao time. Eu já invisto em esporte há mais de 10 anos e sei que dá retorno”, defende.

      O problema em revelar os investimentos do clube, segundo o presidente, é atiçar advogados trabalhistas de plantão. “Só o Zé Clei, que jogou uns meses no Caxias, tem uma ação para cobrar R$ 1 milhão. E essa ação não temos como contestar, porque já foi dada a sentença. Tentamos negociar, mas ele está sendo irredutível”, diz, chateado.

      Quando a conversa parecia se esvair nessa ladainha de cobranças judiciais, eis que irrompe na sala uma menina gritando pelo pai. Julia tem quatro anos, é filha do primeiro casamento de Voges. “Diz pro tio que é jornalista o nome do time do papai”, solicita a ela o pai atencioso. “Timão”, responde Julia. Voges, ruborizado, tenta ajudá-la. “Não, filha, ‘timão’ é o time da tua mãe, o do papai é outro. Qual é o time do papai?”, insiste. “Caxias!”, responde finalmente a menina, devolvendo o sorriso ao pai.

      “Quando cheguei no Caxias, encontrei mais oficial de justiça do que jogador”, brinca o presidente

      “A mãe da minha filha é corintiana, a avó dela é são-paulina, mas minha filha é do Caxias. Já levei ela para o estádio e nessa idade as crianças acabam criando uma afinidade com o clube. Aí não perde mais. Tem cara aí que troca de mulher, mas não troca de time”, diverte-se. Voges mudou de ambos.

      A última mudança veio em 2009, na vexatória derrota de 8 a 1 para o Internacional, no Gauchão. E deixou uma lição: “Nunca mais vou contratar jogador por empréstimo com cláusulas em que o cara não possa disputar uma partida contra a sua equipe de origem. Nesse jogo contra o Inter não pudemos contar com jogadores importantes”. Em seguida, Voges admite: “Eu até era torcedor do Inter, mas desde aquela partida eu passei a ser o torcedor mais fanático do Caxias.” É bom lembrar que ele decidiu investir no Caxias por uma estratégia de marketing, e não porque era um fã do clube. Mas esse tempo dentro do Centenário o fez incorporar aquele sentimento ainda tão estranho ao seu universo metalúrgico: a paixão.

      E com paixão, mas sem perder a mão de ferro, o alemão de Roca Sales pretende tornar o Caxias uma marca forte e um clube competitivo. O que para alguns não passa de um sonho, para Voges é mais um desafio. Só mais um, diante de tantos outros que ele já superou ou pretende superar.

      “Sou a favor da globalização. E o Caxias não pode ficar fora disso, tem de abrir essa aldeia. Fui visitar como trabalham quatro dos maiores clubes do mundo, o Real Madrid e o Barcelona, da Espanha, e o Milan e a Inter, da Itália. A fórmula dos caras é a mesma do Manchester United há 15 anos: marketing agressivo, estreita relação com a comunidade e investimento na base para formar e vender”, enumera.

      Dentro dessa cadeia, Voges ainda destaca os trabalhos desenvolvidos por grandes clubes do Brasil que nos últimos anos vêm figurando como os mais competitivos: São Paulo, Cruzeiro, Internacional e Atlético Paranaense. O sonho do presidente é levar o Caxias à Série B. “É o lugar de direito do Caxias. Subir para a B é o nosso principal objetivo do ano. E de vez em quando beliscar uma série A. Mas aí é outro assunto, porque time do interior não tem conseguido sobreviver na Série A. Mas de vez em quando ir lá e beliscar com certeza é possível.”

      “Se tudo der certo este ano e conseguirmos pagar todas as dívidas, eu deixo o cargo”, planeja Osvaldo Voges

      No ano dos 75 anos de fundação do clube, computados aí os tempos de Flamengo, Voges entra em 2010 com o peito aberto e já revela como pretende terminar o ano: “Se não zerar 100% das nossas dívidas, pelo menos vai chegar bem próximo disso. Quero subir para a Série B e o Caxias tem de chegar entre os quatro primeiros no Gauchão. Conquistando isso tudo, vou ficar muito feliz”.

      “A minha maior alegria e satisfação no Caxias até hoje foi ver o estádio lotado no jogo contra o Guaratinguetá, no ano passado. Não ficamos com a vaga, mas foi lindo de se ver”, recorda Voges, mostrando a tela do seu computador com uma foto do Centenário cheio. “Oficialmente dizemos que tinha umas 25 mil pessoas, mas tem gente dizendo que tinha 31 mil, sei lá. Mas aquilo foi uma demonstração de como nossa torcida está madura. Porque podiam ter quebrado todo o estádio. Mas saíram todos silenciosos de lá, não tivemos uma ocorrência registrada, nada”, orgulha-se.

      Esse vínculo com a comunidade, as constantes brigas com a federação por um preço de ingresso mais barato, o investimento na base, as dívidas sendo sanadas, a promessa de um trabalho continuado da equipe técnica, todos esses elementos, acredita Voges, vão tornar o Caxias um time vencedor. “Quem não gosta de investir em time vencedor? O Caxias precisa ser vencedor”, resume. “Nesta semana vou sentar com a Federação Gaúcha para baixar o preço do ingesso. A receita da bilheteria não sustenta um clube como o Caxias. Por isso quero ingresso a R$ 2, R$ 3, e não o mínimo de R$ 10, como deseja a Federação.”

      O Caxias nem entrou em campo ainda, mas já é possível esboçar aonde pode chegar um clube que fora das quatro linhas planeja todos os seus passos. Ainda mais quando seu comandante diz se espelhar em dois dos mais importantes presidentes grenás da história. Dito por Voges: Francisco Stedile e Marcos D’Arrigo. Um pela sua devoção ao clube e por ter construído um estádio grandioso, do nada, em apenas seis meses. O outro porque, driblando as pedras pelo caminho, levou a taça de campeão gaúcho.

      “Meu plano não é ser presidente por 15 anos. Vou continuar a investir no Caxias, mas se tudo der certo este ano e conseguirmos pagar todas as dívidas, eu deixo o cargo. Aí vai entrar alguém para ser presidente no meu lugar”, projeta. Se dentro de campo Voges quer proporcionar alegria aos milhares de torcedores grenás, que parecem ter acordado depois do histórico confronto contra o Guaratinguetá pela Série C de 2009, fora dele Voges sonha em tornar o Caxias uma S.A.. “Imagina o Caxias com um diretor-presidente e vários sócios! Cada um que quiser investir no clube poderá ser sócio”, projeta. Mas, primeiro, o Caxias tem que render em campo. É o que o presidente e todos os grenás esperam começar a ver no próximo sábado, na abertura do Gauchão.

      (da versão impressa)

      Foto: Voges já investiu R$ 15 milhões no clube: “É teimosia de alemão” | Crédito: Maicon Damasceno/O Caxiense

      Categoria: Esportes, Impresso | Tags: Caxias,futebol,Impresso,Voges | 10 Comentário
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