A inovação e a criatividade dominam discussões do TEDx
por O Caxiense | 25/11/2011 às 17:40
Evento reuniu 15 pensadores locais que debateram desde arte à ciência, de comunicação à tecnologia
Evento inédito em Caxias do Sul, o TEDx (Technology Entertainment Design) disseminou boas e inovadoras ideias neste sábado. Os 15 palestrantes que participam do seminário no auditório da CIC foram desafiados a dar, em até 18 minutos, “a palestra de suas vidas”, que pudesse transformar o mundo. Durante as palestras, o público teve oportunidade de pensar, rir e até se emocionar. O CAXIENSE transmitiu o evento na íntegra e, nos próximos dias, disponibilizará os vídeos de cada palestra.
Confira o que disseram os palestrantes
MAURÍCIO SECHAUS, empresário
Para Mauricio Sechaus, a internet passou por 3 grandes fases: da informação, do e-commerce, e das redes sociais. Foi na terceira onda que o empresário teve a melhor experiência. Em março deste ano, um imprevisto impediu que ele fosse visitar a família na sua cidade natal, São Lourenço. Naquele fim de semana, a chuva fez o arroio transbordar e invadir metade das residências da cidade, que tem 50 mil habitantes.
“No primeiro momento é o pânico. E eu fiquei pensando em uma forma de ajudar daqui. As mídias sociais eram a ferramenta que eu tinha para ajudar sem sair da minha cadeira”.
Com uma campanha para os seus amigos e seguidores virtuais, Sechaus pretendia lotar o carro com donativos e levar para São Lourenço. Em pouco tempo, conseguiu o suficiente para fazer 4 viagens. E estava disposto a fazer 10, se necessário. A motivação se multiplicou e a solução para tanta solidariedade veio por Direct Message, com um amigo avisando que conseguira um caminhão para levar a ajuda. Depois de 3 dias, desde que tinha sido avisado pelo Twitter sobre a catástrofe – “chove antes no Twitter” -, Sechaus foi para São Lourenço lotado de donativos.
“A minha primeira ação foi multiplicada em pelo menos 10 vezes. Quando a gente chegou lá, um voluntário veio falar comigo: ‘Vi que tua placa é de Caxias. Tu não é o cara que fez uma campanha para arrecadar donativos?’. Novamente choveu antes no Twitter”, conta o empresário.
“O relevante não é a quantidade de seguidores que tu tens, mas a forma como tu consegue envolvê-los nas tuas ações.”
ZICO ZUGNO, engenheiro elétrico
Professor do Centro Tecnológico de Mecatrônica de Caxias do Sul, Zico Zugno comprovou, no TEDx Caxias, como a criatividade – e a ciência – pode ser usada em prol de outras pessoas. Ele apresentou uma série de equipamentos que, produzidos por ele e seus alunos, têm feito microrrevoluções em um número sem-fim de vidas: o monoclick (software com uma só tecla), simulador de voz com o uso de cartões, traumatex (equipamento psicoterápico para auxiliar no tratamento de trauma) etc.
A mais recente aposta de Zugno é um detector de sono e embriaguez para ser instalado em automóveis. Em vez de usar padrões faciais ou piscada de olho, como equipamentos similares, ele se baseia na frequência cerebral.
Mas de onde surgem todas essas ideias?
“Não há nada tão especial assim”, minimizou.
De qualquer forma, ele listou 4 requisitos para a inspiração: 1) estar preparado (isso significa estudar muito); 2) querer ajudar; 3) existir a necessidade; 4) empenho na realização (manter o foco)
“Projetar uma máquina, para mim, é mais fácil do que fazer uma lasanha”, brincou.
Na conversa, ele também apresentou seu novo livro: o Antídoto Apocalíptico: 140 razões científicas que permitem a nossa existência. Na obra, ele compartilha conhecimentos científicos que ajudam a popularizar conceitos para entender desde o Big Bang até as atuais condições do universo.
CRISTIANE KRÁS BORGES, coordenadora do curso de Fisioterapia da FSG
Segundo a professora da FSG, os alunos entram para a faculdade com problemas adquiridos na escola: são desmotivados, não têm disciplina e bons hábitos de estudo, estão interessados somente na nota, não têm autonomia…
“A gente precisa, de alguma forma, reformular tudo isso. Para isso, a nossa forma de ensinar também tem que ser desafiada”, disse Cristiane, que elegeu o método da Atividade Prática Supervisionada (APS) da FSG como uma ideia que merece ser espalhada.
“É uma proposta, não exclusiva da nossa instituição, que vai linkar o ensino sem dissociar a teoria da prática”, explica a professora.
Conforme Cristiane, em cada disciplina, no início do semestre, o professor apresenta um problema. No decorrer das aulas, os alunos elaboram um projeto e colocam em prática as teorias da ementa.
“O aluno e o grupo têm que encontrar uma solução. O aluno está sendo instigado, mobilizado. Ele precisa resolver de uma forma inovadora e criativa”, descreve Cristiane. As APS´s inserem os alunos na comunidade, promovem o contato precoce com o mercado de trabalho e parecem abolir uma praga comum no escola e no ensino superior: o Ctrl C + Ctrl V.
PROJETO CCOMA, duo de jazz instrumental contemporâneo
O Projeto CCOMA promoveu um momento duplo no TEDx Caxias. E não só porque o grupo é composto por duas pessoas. Caracterizou-se assim porque significou o retorno do músico Luciano Balen ao palco da CIC, agora também para mostrar seu talento musical ao tocar 2 músicas ao lado de Roberto Scopel.
Balen falou sobre o processo de criatividade. E lançou uma primeira observação/preocupação:
“Poucas vezes somos incentivados a ser criativos.”
Ele nota que as famílias tolhem as pessoas desde a infância, mesmo sem querer. A situação se repete na escola, “um reflexo da sociedade”, avisou Balen.
Para enfrentar o problema, ele deu dicas. Uma delas é desrespeitar convenções – como usar um iPad no lugar do guitarrista, uma possibilidade explorada pelo projeto CCOMA. Balen lembrou do cenário da música no Rio Grande do Sul. Ele saudou a produção da geração da década de 80 e relatou sua inquietação com a série de regras que surgiram nos últimos anos para que um grupo seja classificado como “rock gaúcho”.
“O rock deveria ser contestador, mas está cheio de regras. No rock gaúcho, a pessoa é obrigada a usar All Star, senão não toca rock gaúcho”, brincou.
Ele também se recordou da história de Caxias do Sul. Contou que faz pesquisas para tentar entender por que a cidade ganhou o rótulo de cidade do trabalho – e o foco só no trabalho tolhe oportunidades de ser criativo.
“No documentário sobre Caxias, há um senhor que fala: ‘Aqui, o café da manhã é trabalho, o almoço é trabalho, a janta é trabalho’. Eu fico preocupado: imagina se o Ministério do Trabalho bate aqui?”, ironizou, arrancando risos do público.
Balen lembrou que Caxias ganhou sua primeira escola de música antes mesmo de ser elevada à condição de cidade, em 1884. A Universidade de Caxias do Sul (UCS), acrescentou, surgiu como instituição de belas artes.
“Aqui é a terra da arte, não do trabalho”, destacou.
LUCIANO BALEN, músico, administrador e marqueteiro
Aos 24 anos, Luciano Balen vendeu tudo o que tinha e foi para o México. Foi a 2ª melhor experiência da sua vida. “A primeira foi voltar 3 meses depois”, conta o palestrante, que é músico de profissão. Antes de seguir o sonho de artista, Balen foi empresário, dono de uma empresa que recarregava cartuchos de impressora – em 2009, um negócio inovador.
“Dentro da faculdade (de Administração e Marketing), eu ficava ouvindo os professores despejando conteúdo. E pensava: o que eu estou fazendo aqui?”, lembra o percussionista, 0 Swami Sagara do Projeto CCOMA.
No inicio deste ano, Balen lançou o documentário Profissão: Músico. A experiência foi fundamental como motivação para seguir a “vontade maior”.
“Eu acho inconcebível eu fazer um filme que se chama Profissão: Músico e continuar sendo empresário”, diz o artista.
Então, ele confessou, rindo:
“Eu usei o filme para fazer pesquisa e saber se já dava para viver de música, agora, ou não. E dá.”
Depois de ter “comprado uma ilusão” do glamour da carreira de músico, Balen passou a odiar a palavra sucesso.
“O sucesso pressupõe outra palavra: queda. Quem aqui não está torcendo pela queda de quem hoje está fazendo sucesso na música? O sucesso significa ‘eu sou melhor do que o outro’. Eu prefiro êxito. Tu só tem que ser melhor que tu mesmo.”
Balen não fez concurso para o Banco do Brasil, como sugeriu a avó, usou o desvio profissional para “ouvir o coração” e planejar a carreira dos sonhos e hoje comemora o êxito como artista.
“A maioria aqui tem 20 e poucos anos. Eu fico feliz, mas gostaria de ver também o pessoal da faixa dos 40″, disse o músico quando abriu a palestra, antes de mostrar que sempre é tempo de promover uma virada na vida.
GUSTAVO VANASSI, sócio do Studio 7
Gustavo Vanassi surpreendeu logo na largada de sua palestra. Como assim, vai falar sobre fotografia e não vai mostrar nenhum slide?
Ao fim dos 18 minutos, entendeu-se por que a escolha. Vanassi se preocupa com a banalização da imagem. Neste ano, segundo entidades especializadas, o mundo fará 370 bilhões de fotografias digitais. Esse fenômeno, alertou Vanassi, faz com que as imagens percam sua “mágica”.
“A fotografia tem o poder de nos transportar a momentos bacanas, a nos recolocar naquela história legal. Serve como uma cápsula do tempo”, afirmou.
As imagens traduzem um fenômeno contemporâneo: a gente está menos contemplativo. Isso atrapalha a percepção de tempo – por isso a sensação de que passa tão rápido. Para ampliar nossas experiências de tempo, precisamos abrir os nossos sentidos. É possível começar fazendo isso com uma câmera, segundo Vanassi. Abrir-se para fazer fotos mais seletivas estimula novos olhares e intensifica a vivência de uma experiência.
ALINE CORSO, bacharel em Tecnologias Digitais, assessora de imprensa e executiva empresarial
Aline Corso estuda os computadores vestíveis há 4 anos. Na palestra O Corpo Aparelhado, ela citou Minority Report, Robocop e Inspetor Bugiganga para falar de uma fantasia antiga do homem.
“Desde tempos antigos, o homem tem imaginado o que aconteceria com a humanidade com a criação de um homem-máquina”, disse Aline, ao explicar que essas tecnologias estão mais perto do que se imagina.
“Computador vestível é um tipo de computador adicionado ao corpo do usuário, sempre ligado e acessível, exercendo algumas funções”, disse Aline.
Ela apresentou exemplos dessas “roupas tecnológicas” no uso militar, na medicina, esporte, segurança, moda e entretenimento.
“E, se em vez da tecnologia chegar ao corpo, o corpo fosse para a tecnologia?”, questionou a palestrante, que não atribui o uso de “peças humanas” em máquinas só aos filmes de ficção científica.
“Não se espantem quando essas coisas chegarem ao mercado.”
SYLVIO RIBEIRO, autor do site Pequeno Guru, que reflete sobre marketing, negócios e carreiras
A palestra de Sylvio Ribeiro merecia ser anotada em papel, com caneta. Durante sua intervenção no TEDx Caxias, ele falou sobre os benefícios de registrar as ideias – qualquer ideia.
“Às vezes, você tem uma ideia e não sabe como concluí-las, mas, lá na frente, ela combina com outra ideia. Aí forma algo bacana. Mas se você não tivesse anotado em algum lugar, a ideia seria perdida”, lembrou Ribeiro.
Ele apresentou 3 vantagens de se ter um papel e uma caneta à disposição – escrever à mão tem mais sucesso no aprendizado do que o registro em computador ou outro dispositivo. A primeira é que você não esquece o que anotou.
“O cérebro é uma ferramenta fantástica, mas a gente exige tanto, que às vezes ele não funciona da maneira que a gente gostaria”, ressalta.
Em segundo lugar, a anotação serve para estimular a criatividade. Segundo Ribeiro, estudos comprovam que escrever estimula o cérebro a criar. É por isso que se recomenda a escritores com bloqueio criativo escrever – escrever qualquer coisa.
Em seguida, Ribeiro tratou sobre uma terceira vantagem, mais sutil. A anotação alivia a mente. Tira a sobrecarga do cérebro, que passa a estar livre para criar.
EDUARDO PANDOLFO, sócio da Vital Governança de Projetos, especialista em inovação estratégica e professor de MBA
Inovação: finja que você tem ideias e eu sou um moscão. Com este tema, eduardo Pandolfo foi o primeiro ao subir ao palco do TEDx na tarde de sábado (26) para dizer que não importa quem dissemina as ideias e sim o resultado que elas terão. E o professor começou descrevendo um primeiro dia de aula na faculdade.
“Chego e sento lá no fundo, faço cara de aluno e espero os alunos chegarem”, disse Pandolfo sobre o processo de observação, enquanto ouvia as expectativas dos alunos sobre o professor, a dinâmica da aula, a avaliação.
Quando se apresentou como professor, disse que atenderia às expectativas e seguiria o padrão: 2 provas, um trabalho e uma avaliação da participação valendo 2 pontos.
“Eu nunca entendi por que vocês nos avaliam por participar, interagir, colaborar. Isso nós temos que fazer”, disse uma aluna que sugeriu que os 2 pontos subjetivos fossem dados a quem não atrapalhasse a aula.
A estudante foi ao quadro, com a participação dos colegas e do professor, e listou os demais critérios.
“Foi uma ideia gerada ali. Poderíamos ter pesquisado fontes para fazer os critérios, mas não teríamos essa participação”, conta o professor.
Hoje ele utiliza a mesma dinâmica nas empresas, avaliar quem não atrapalha e exigir a colaboração como obrigação de cada um.
“As pessoas gostam de utilizar soluções prontas, testadas, consagradas. Mas o momento, a equipe, os recursos e as genialidades que as pessoas têm são outras. E a solução pronta não vai se adequar. As ideias estão ali, nas pessoas do seu lado”, disse Pandolfo.
“As pessoas que espalham as ideias não são as que estão aqui no palco, que têm o datashow, o poder do giz e da caneta. As pessoas que espalham as ideias são vocês.”
LELA ZANIOL, do site Destemperados
A palestra de Lela Zaniol teve o sabor simples (e gostoso) de um pastel. Em um evento sobre ideias inovadoras, ela já conquistou o público com algo inédito: distribuiu pastéis de carne ou palmito (para os vegetarianos) à plateia.
Os 18 minutos seguintes seguiram a mesma toada. Ela defendeu a simplicidade na experiência gastronômica (e, por extensão, em qualquer outra experiência de vida) como a receita de sucesso.
“O simples nos encanta”, atestou.
Destemperados, o site que mantém com outros dois amigos, é o exemplo de que a dica dá certo. Mesmo sem reunir especialistas, a página atrai milhares de acessos – que vêm até mesmo de cidades que eles nunca visitaram, como Brasília.
“Quando fundamos o blog, a gastronomia era muito distante das pessoas comuns. Era só bambambam que falava sobre o assunto”, afirma.
A proposta do Destemperados foi quebrar com essa lógica para tentar responder a questões que preocupam as pessoas numa saída à noite, por exemplo. Com que roupa ir ao restaurante? Eles aceitam vale? Como é a comida?
“Nossa maior ousadia foi ser simples”, afirma.
GUILHERME VIEIRA, fundador da Flip Studio
Um dos organizadores do TEDx Caxias do Sul, Guilherme Vieira falou sobre a cronologia do mobile, desde os primeiros cerlulares até os que ainda não existem, mas estão prestes a chegar. Há pouco tempo, os celulares eram apenas uma extensão do telefone fixo e, basicamente, serviam para fazer e receber ligações. Depois, foram marcados por duas revoluções, ganharam a possibilidade de comunicação por mensagens e a internet wap. Isso foi em 2005. Agora, os smartphones funcionam como plataformas de aplicativos e avançam como uma ferramenta para ganhar dinheiro.
“A gente tem o celular sempre próximo, pronto para ser usado. É a era pós-PC”, disse o palestrante. Para Guilherme, “amanhã” os celulares serão reconhecíveis e substiruirão, por exemplo, os cartões de crédito. Será um compartilhador de cartões de visita, GPS, realidade aumentada, tradutor… Depois de amanhã, eles vão reconher e conversar com os seus usuários. E darão dicas importantes antes que o usuário precise pedir.
JEAN CARBONERA, advogado, professor e consultor
O advogado apresentou 4 lições que aprendeu em busca de um mundo melhor.
“Nossa responsabilidade social não tem fronteiras.Um mundo melhor se faz (re)conhecendo diferenças e relativizando (pré)conceitos”, pregou.
A primeira lição defendida por Carbonera é respeitar as diferenças. Segundo ele, “o que as pessoas mais possuem em comum é o fato de todas serem diferentes”.
O segundo aprendizado se refere à força da sociedade. Conforme Carbonera, o coletivo condiciona o comportamento.
“Por mais diferentes que sejam as pessoas, seus comportamentos são invariavelmente condicionados pelos grupos e sociedades nos quais vivem”, afirmou.
Ele citou o exemplo do racismo – e como diferentes países encaram a questão. No Brasil, de acordo com o consultor, a cor da pele é que motiva o preconceito. Em Ruanda, o racismo se dá entre negros – a ponto de motivar um dos maiores genocídios da humanidade.
“Por isso, é preciso trabalhar o coletivo para atingir o indivíduo”, destacou.
Como terceira lição, Carbonera se referiu ao Direito. Ele entende que “seu direito não pode prejudicar direito de outros”. Para explicar o tema, voltou a exemplos – desta vez, polêmicos. Ele defendeu duas reflexões. O casamento de homossexuais prejudica o direito de outras pessoas? E o porte de arma?
O relativismo do entendimento dos conceitos de desenvolvimento e progresso apareceu como quarta lição.
“Desenvolvimento não se impõe e deve servir para melhorar realmente a vida das pessoas”, acredita.
FELIPE BOFF, editor-chefe da revista O CAXIENSE
Enquanto espalhava jornais pelo palco, Felipe Boff recorria a Marshall McLuhan para embasar o tema da sua palestra O papel da imprensa local, muito além do papel. “A nova interdenpendência eletrônica recria o mundo à imagem de uma aldeia global”, citou Felipe. “A informação é o toque do tambor em uma aldeia. O que ele transmite é a informação. Informações se referem a fatos e algumas se transformam em notícias”, explicou o editor, sobre as novas maneiras de ouvir o toque do tambor.
“O celular é uma extensão da voz, do olho e do ouvido. É o controle remoto da vida”, disse Felipe, antes de falar da internet, a “extensão de quase todos os sentidos”. “É o que melhor representa a ideia de aldeia global. É capaz de conjugar todas as mensagens e enviar a todos nós.” Segundo o palestrante, o jornal de papel era o que melhor representava nossa aldeia local mas não pode ser levado para a aldeia global. Porque é físico. “Precisamos fazer um desenho da aldeia local dentro da global. Identificar Caxias na internet. E a gente já faz isso.”
Conforme Felipe, o papel deve sobreviver, mas não no jornalismo diário. “O que falta é a imprensa fazer o seu papel de aldeia local dentro da aldeia global. A notícia tem que chegar em qualquer ponto, rápido e em cima da hora. O que o jornal de papel não faz. Essa é a grande crise”. Ao final dos 18 minutos de palestra, o editor havia jogado 800 jornais sobre o palco. E mostrou que o custo da montanha de papel é suficiente para comprar um computador, um smartphone, um iPad, portas para a aldeia global.
A ideia de McLuhan sobre aldeia global foi escrita na década de 60, por um homem que enxergava muito à frente do seu tempo. A ideia de Felipe é bem mais modesta. ” A minha proposta é que a gente consiga só enxergar o nosso próprio tempo.”
FAUSTO ARAÚJO, bacharel em Tecnologias Digitais e proprietário da Urizen, empresa de tecnologia interativa
Bacharel em Tecnologias Digitais, Fausto Araújo defende uma nova visão sobre a tecnologia. Ele acredita que o computador e outros aparelhos não devem ocupar tamanha importãncia do que eles têm hoje. O que deve ocupar esse espaço são as funções que eles fazem. É o que se chama de tecnologia ubíqua, como o airbag (que você não precisa apertar um botão para que ele funcione)
“Essa tecnologia funciona em prol da gente, inverte a lógica. Em vez de eu pensar nela, ela pensa em mim”, afirmou.
Proprietário da empresa de tecnologia interativa Urizen, ele falou do benefício desse novo paradigma.
“Ela faz que a gente aproveite mais as pessoas e os cenários. É como se essa tecnologia olhasse para a gente e dissesse: ‘pegue o sol, se alguma coisa importante acontecer. Deixa que eu te chamo’”, destacou.
FREI JAIME, coordenador do projeto Mão Amiga
“Tudo o que será apresentado aqui vai mostrar como a vida pode ser dinâmica”, disse Frei Jaime Bettega, ao abrir a 1ª palestra do TEDx Caxias do Sul. O projeto Mão Amiga, que custeia 50% da mensalidade de 400 crianças em escolinhas infantis, foi o tema dos 20 minutos de palestra.
“O Mão Amiga surgiu pelas mãos de uma senhora que eu não sei o nome”, contou o palestrante sobre o dia que a Lefan (Legião Franciscana de Assistência aos Necessitados) recebeu 5 mil reais em um envelope e destinou a doação para ajudar as famílias que não tinham condições de pagar sozinhas a escolinha dos filhos de 0 a 6 anos.
Em um ano, o número de crianças atendidas passou de 150 para 400. O custo da assitência, de R$ 62 mil mensais escola, é suprido com doações diretas de padrinhos do projeto ou por destinação de 6% do imposto de renda de pessoas jurídicas e até 6% de pessoas físicas. mensalidade e nós pagamos a metade. Nós precisamos 62 mil todos os meses. E nós sempre conseguimos os 62 mil.
“Caxias poderia arrecadar 8 milhões por ano, e não consegue arrecadar 1 milhão. Porque esquecemos de uma parte tão bonita da vida que é olhar para o outro”. Segundo o frei, o déficit de vagas em creches de Caxias é de 2,5 mil vagas. E essa é a meta do projeto Mão Amiga. “Hoje nós entremos com o pedido na prefeitura de aporte jurídioco para nos emprestar a fatura da água. Se cada família der R$ 1 , teríamos R$ 160 mil por mês. Quem não daria um real? Com o que temos e mais isso resolveríamos o problema dessas 2,5 mil crianças.
O que é o evento
A versão caxiense do evento é inspirada na conferência anual do TED (Technology Entertainment Design) americana, que iniciou na Califórnia em 1984 com o objetivo de compartilhar inovações nas mais diversas áreas do conhecimento. Entre os palestrantes gringos, figuram nomes como Bill Gates, Al Gore e Isabel Allende. No Brasil, ele já teve edições em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
O TEDx Caxias do Sul reunirá pensadores da arte, tecnologia, ciência, negócios e comunicação, e tem como lema “Ideias que merecem ser espalhadas”.
O CAXIENSE é um dos apoiadores do TEDx.
















Comentários
27 de November de 2011 às 14:15
o q sinto falta nestes tedxs da vida é gente dos movimentos sociais, que são os que têm construído a tecnologia brasileira q é a mais demandada, a de ponta e de exportação pro mundo: a tecnologia social
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