“O povo indígena tem 510 anos de preconceito”, diz índio Pataxó em palestra
por O Caxiense | 17/06/2010 às 8:29
Durante duas horas, os participantes do segundo dia do Seminário Origens de Caxias aprenderam sobre a cultura indígena com quem tem mais autoridade para falar sobre ela: os índios. Os palestrantes desta quarta-feira, no evento realizado na FSG, eram representantes de tribos Kaingang, Xokleng e Pataxó, que usavam cocares, colares e brincos, que se mesclavam com casacos e mantas para resistir ao frio que alguns não estavam acostumados.
Antes de iniciar, o índio Garapirá Pataxó pediu que todos os participantes se dessem as mãos, enquanto ele entoou um canto a Tupã. Depois, o índio Pataxó falou sobre costumes de sua tribo, na Bahia, que tem mais de cinco mil indígenas:
“Até os dez anos, as crianças só estudam cultura e língua indígena. Aos 16 anos o menino vira guerreiro, e passa por um ritual, onde recebe dois furos na orelha feitos por um espinho. Quando o índio está interessado em casar com uma índia, ele joga nela uma pedrinha. Se ela aceitar ela devolve a pedra. E se a menina, aos 16, é muito cobiçada, tem uma luta para disputá-la na aldeia, para saber quem é o mais forte. Daí quando eles casam não trocam alianças, trocam colares de penas”, contou.
O índio Pataxó destacou que hoje os índios não pensam mais em derramamento de sangue, mas em sair para estudar e poder debater de frente com o homem branco, já que as diferenças ainda não foram superadas.
“Dizem que o Brasil tem 510 anos. Se é assim, o povo indígena tem 510 anos de massacre e preconceito”, disse o índio, que ainda tem esperança de ver um presidente da república de sua etnia.
Vangri Kaingang, que explicou que seu primeiro nome significa “broto de taquara”, disse que a etnia Kaingang é a terceira maior do Estado:
“As pessoas às vezes nem sabem que existe índio no Rio Grande do Sul. Eu fico bestificada com isso”, disse Vangri, que chamou a atenção de uma participante do seminário quando esta mencionou a palavra “bugre”, o que ela explicou se tratar de um termo pejorativo, que significa “traidor da própria raça”. “Nunca mais use este termo”, disse a índia Kaingang.
O outro palestrante, Griôs Xokleng, o mais velho dos três, com 89 anos de idade, chamou todos os brancos e negros que o ouviam de irmãos, de amigos.
“Antes, os brancos matavam os índios, e os índios matavam os brancos. Hoje vivemos numa irmandade. Tem muita geração branca que não sabe como tem tanto índio para cá. É porque os livros de história nunca contam certo”, explicou, finalizando a palestra cantando uma cantiga Xokleng.
Foto: Representantes de tribos Xokleng, Kaingang e Pataxó palestraram na FSG | Crédito: Caroline Polli, Divulgação/O Caxiense
Publicado às 17h27 de 17 de junho de 2010.
















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