10 cenas da minha vida: Mario Michelon – um caxiense de coração
por O Caxiense | 16/06/2010 às 10:49
por ROBIN SITENESKI |
O relógio mal marcava 9h e videiras à beira do Rio das Antas em Antônio Prado já recebiam cuidados. Espremido entre duas encostas íngremes, o rio não era apenas um bom vizinho para o cultivo: também fornecia uma ótima acústica. Como muitos filhos de colonos, Mario Michelon começou a trabalhar na roça desde pequeno. Aos 10 anos de idade, cantava músicas em italiano acompanhado por seus irmãos e por primos e tios que moravam do outro lado do rio.
“O eco repercutia músicas do folclore italiano, como Mérica, Mérica. Do outro lado, vizinhos acompanhavam. Quando trabalhávamos na roça ou no final do dia, voltando da escola, apesar do cansaço, não faltava voz para cantar. Hoje, quando vejo pessoas trabalhando na colônia sinto uma saudade enorme”, conta Michelon.
No dia 8 de junho, seu aniversário, Mario Michelon recebeu o título de Cidadão Caxiense. Ele é o autor da música tema de quatro Festas da Uva (2002, 2006, 2008 e 2010) e vencedor de prêmios em diversos festivais, entre eles o Oscar della Musica, pela composição Nostalgia, em parceria com Joel Vianna.
Aos oito anos, Michelon ganhou o primeiro instrumento, um acordeon de oito baixos. O gosto pela música veio de casa.
“Meu pai trabalhava na igreja e nos incentivava a cantar desde pequeno. A missa era sempre cantada e era ele quem puxava as músicas. O gosto e a sensibilidade para a arte poética herdei de meu avô. Tenho o mesmo perfil musical dele. Durante toda minha vida, me aproximo de onde existe música. Me sinto em um estado de enlevo e encanto em contato com ela.”
Michelon falava o dialeto talian em família, seus bisavôs eram imigrantes da região do Veneto. Além do acordeon, Michelon – que, em família, falava o dialeto talian, trazido do Vêneto por seus bisavós – aprendeu a tocar violão e harmônio (similar ao piano) na infância. A paixão pela arte influenciou a escolha da profissão: é formado em Letras pela UCS. Mas nunca se afastou da música. Enquanto estudava, fez parte do Coral da universidade. Desde que ganhou o primeiro prêmio no Festival Viva a Juventude, em 1971, participa constantemente desse tipo de competição.
O compositor diz que tenta facilitar o trabalho de quem faz a música para suas letras e que, entre os parceiros de festivais – que incluem Délcio Tavares e o já citado Joel Vianna –, aquele com quem mais se identificava era o nativista César Passarinho.
“Já faço a letra com certa musicalidade. Eu gostava muito do timbre de voz do César. Ele costumava me dizer: ‘como é agradável ginetear uma obra de arte’.”
O artista conta que a inspiração para escrever vem depois de uma boa noite de sono. Residente em Caxias desde 1975, quando se mudou para a cidade para lecionar no colégio São Carlos, Michelon diz que se encantou com a Festa da Uva.
“O universo de Caxias é muito dinâmico e industrial, mas o da Festa é diferente, o que sempre me fascinou. Comecei a participar dela como espectador dos desfiles e, depois, cantando pelo coral dos professores da 4° Coordenadoria de Educação. Hoje, me dedico à Festa até a exaustão.”
Em 2009, Michelon ganhou o disco de ouro por ser o diretor artístico do CD e autor da música tema da Festa da Uva de 2006. Ele revela que essa foi a Festa mais vibrante de que já participou. Aposentado como professor, hoje ele trabalha no Departamento de Arte e Cultura Popular da Secretaria da Cultura de Caxias e faz parte do Coral Municipal. E não pretende parar de trabalhar tão cedo. Entre os pedidos de novos composições estão os do nativista Elton Saldanha e do sertanejo Daniel. Orgulhoso de suas conquistas profissionais, Michelon diz que o prêmio de Cidadão Caxiense foi o auge da carreira.
“É o coroamento de uma trajetória. Foi aqui que constituí minha família e que trabalhei. Acredito que não vou viver mais emoções tão fortes.”
Foto: Michelon recebe o título de cidadão caxiense | Crédito: Divulgação/O Caxiense
Publicado às 10h48 de 16 de junho de 2010.














Comentários
13 de August de 2011 às 20:09
Parabéns pelo título recebido, gostei de conhecer um pouco de sua história ariística.
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