O futuro visita o Jaconi
por O Caxiense | 01/05/2010 às 10:49
Projetos do departamento de marketing do Juventude têm foco em crianças de escolas das redes municipal e estadual de ensino
Após dois rebaixamentos em três anos e queda no número de associados, o Juventude quer se reerguer. Para isso, o departamento de marketing tenta fazer a sua parte. E não apenas criando projetos, contatando empresas, buscando patrocínios para as camisas alviverdes. Mas semeando a ideia, junto às crianças, de que é possível tornar-se torcedor de um clube que foi vencedor, caiu e quer ser vitorioso novamente. “Pesquisas internacionais mostram que a fidelização acontece geralmente entre os seis e 12 anos. Ou seja, é nessa época que a gurizada escolhe o time que irá torcer”, resume o vice-presidente de marketing, Mauro Trojan.
Fora a venda de atletas, outras três ações são responsáveis por aumentar o saldo da conta de clubes de futebol: associados, licenciamento da marca e patrocínios. “Todas as áreas estão contempladas, mas a principal é o sócio, o juventudista”, conta Trojan. Há quase três meses o marketing do Ju lançou a Papo Paixão, campanha de planos que pretende chegar aos 10 mil associados – ou algo muito próximo desse número – até 18 julho, quando se inicia a Série C do Campeonato Brasileiro. Hoje, o clube tem cerca de 6,2 mil papos que pagam em dia suas mensalidades. “No início da década eram mais de 12 mil. Estamos na Série C com uma situação financeira difícil. Só iremos superar esses desafios com o apoio da torcida. Podemos chegar aos 20 mil sócios. Sei que isso não vai ocorrer até o final de 2010, mas 10 mil até a Série C é possível. Quem sabe os 20 mil não sejam atingidos no ano do centenário, em 2013?”, questiona o dirigente.
Para alcançar esse objetivo foi criado o projeto Escola. O Juventude, em contatos com a Secretaria Municipal de Educação e a 4ª Coordenadoria Regional de Educação, ofereceu-se para agendar visitas de alunos de colégios municipais e estaduais ao Estádio Alfredo Jaconi. “Já temos 43 escolas cadastradas. Isso é muito bom”, comemora Trojan. A primeira a abrir o ciclo de atividades foi a Escola Municipal Senador Teotônio Vilela, do bairro Nossa Senhora das Graças, na zona sul da cidade. Na tarde de quarta-feira (28), 120 crianças se divertiram muito: assistiram a um vídeo institucional no Salão Nobre Walter Dal Zotto, passaram pelo vestiário, conheceram os jogadores, foram ao gramado (onde correram como atletas), visitaram o Memorial e, por último, receberam brindes. “Cada criança que vier ao Jaconi por esse projeto ganhará um cartão de sócio válido por um ano. Nosso objetivo é entrar na casa dessas crianças, trazer pais, irmãos, a família, todos para o Juventude”, projeta o vice-presidente de marketing, que desempenhou a mesma função nas duas primeiras gestões do presidente Milton Scola, em 1999 e 2000.
Os professores que acompanharam os estudantes fizeram uma avaliação interessante, como Luiz Roberto de Paula, que leciona há dois anos na Teotônio Vilela: “Essa ação é importante porque as crianças passam a conhecer o Juventude. No bairro, a maioria das famílias veio de outras cidades, com Grêmio a Inter na cabeça. Isso aqui, para eles, é algo inesquecível, uma fuga da rotina. Vão comentar em casa e na escola por muito tempo. E, sem dúvida, dessa turma irão sair muitos juventudistas”. Para a professora Sheila Uez, a oportunidade é excelente. “Nossa escola tem alunos, no geral, muito carentes, que dificilmente já estiveram em um estádio. É bom para o desenvolvimento deles”, resume a educadora.
Toda a criançada gostou da visita, mesmo quem não era juventudista. Para Camila Rodrigues Gomes, 9 anos, “a seção das taças” (Memorial) foi a que mais chamou a atenção. Franciele de Lima da Silva, 8 anos, gostou da sensação de pisar no gramado. Entre os guris, uma afirmação e uma descoberta. Gilberto Oliveira Carvalho, 8 anos, já conhecia o Jaconi, mas das arquibancadas. “Daqui do campo é diferente.” Já o pequeno Luciano Schutz de Oliveira, 9 anos, que sonha ser jogador de futebol, disse, na ensolarada tarde de quarta-feira, que amou o passeio. “A partir de agora sou juventudista. Vou falar pro meu pai que fui até entrevistado no estádio.”
Além do agendamento de visitas, jogadores do grupo profissional farão palestras nas escolas que estão se cadastrando junto ao clube. A segunda frente de trabalho organizada por Trojan envolve o licenciamento da marca Juventude. Atualmente, 150 produtos ostentam o símbolo alviverde em seus rótulos, mas apenas 10% são cadastrados. “O Flamengo, do Rio, por exemplo, depois de conquistar o Brasileirão no final do ano passado, vendeu mais de 100 mil camisas. Imagine o tamanho do retorno para o clube”, cita o dirigente.
Os patrocínios completam o tripé de ação planejado pelo vice de marketing. A direção alviverde já encaminhou negociações com Banrisul e Grupo Fátima para renovar as parcerias para o segundo semestre. “É provável que isso ocorra. Buscamos mais dois para a camisa”, anuncia Trojan. Sobre a publicidade estática, ele conta que a houve uma reformulação, e o Jaconi foi dividido em setores. Nessa área, ele não adianta nomes, mas admite tratativas com três empresas. “Todas as ações de marketing, em resumo, são voltadas para que tenhamos mais sócios.” Atualmente, todos os contratos vigentes geram cerca de R$ 100 mil mensais aos cofres do Ju. Com projeção de ter uma folha de pagamento de R$ 250 mil para a Série C, Trojan e sua equipe terão de trabalhar muito para aumentar o saldo. Pelo menos as sementes, dentro do Jaconi, estão sendo cultivadas.
Foto: Primeira visita guiada no estádio foi realizada na tarde de quarta-feira, dia 28 de abril, com 120 alunos da Escola Municipal Senador Teotônio Vilela | Crédito: Maicon Damasceno/O Caxiense
Da 22ª edição impressa
















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