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    Faturamento cai 11% na indústria metalúrgica

    por Roberto Hunoff | 08/02/2010 às 14:13

    O recuo de 36% nas exportações teve influência decisiva no resultado negativo de 11,3% no faturamento das empresas metalúrgicas da Região Nordeste do Rio Grande do Sul no ano passado. Levantamento realizado pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs) aponta que as vendas externas representaram somente 11% do faturamento de R$ 14,3 bilhões do setor em 17 municípios de sua base territorial. Em 2008 as exportações participaram com 15% e, em 2005, com 20%.

    Na avaliação do presidente da entidade, Oscar de Azevedo, parte desta redução é decorrente da taxa cambial, para a qual os empresários têm reivindicado mudanças. Outra é pela perda de competitividade em função do Custo Brasil, em especial por problemas de infraestrutura, como em portos, energia e telecomunicações, e pelos elevados tributos cobrados de quem exporta e investe em modernização do seu parque fabril.

    “Falta ao país uma política industrial de médio e longo prazo que permita ao empresário melhorar sua competitividade interna. Infelizmente não há sinal algum de que o governo venha a atuar neste sentido.”

    Em razão desta dificuldade em concorrer externamente com outros países, Azevedo alerta para a necessidade de o empresariado se preparar para atender as demandas do mercado doméstico, que deve crescer muito nos próximos anos, e minimizar os impactos da concorrência aqui dentro.

    “Não se trata de reserva de mercado, mas de assegurar melhores condições para a nossa indústria diante dos estrangeiros.”

    A expectativa de Azevedo, acompanhando projeções da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul, é que a atividade metalúrgica cresça de 8% a 10% neste ano, voltando aos patamares do período pré-crise. Mas alerta que é preciso cautela, pois são muito perigosos os movimentos bruscos de frenagem e aceleração da economia.

    Do faturamento da região, Caxias do Sul participou com 82,3%, perto de R$ 11,8 bilhões. O volume representa queda de 11,5%. As vendas dentro do estado, que somaram R$ 2,6 bilhões, algo como 22% do total, recuaram 9,2%. Para fora do Rio Grande do Sul a receita apurada foi de R$ 7,9 bilhões, 67% do total e declínio de 5,5%. Já as exportações caíram 39%, para pouco mais de R$ 1,2 bilhões e representatividade de 10,5%.

    Por câmara setorial o impacto da crise foi mais forte na indústria eletro-eletrônica com recuo de 25,6%, para pouco mais de R$ 1,1 bilhão. A automotiva, responsável por 74% do total, acima de R$ 8,7 bilhões, apresentou declínio de 13,8%. Já a metal-mecânica, contrariando as estimativas, aumentou 16,3%, para mais de R$ 1,9 bilhão.

    Falta trabalhador para atividades especializadas

    Uma das consequências da retração nas vendas foi a diminuição no número de empregos formais, embora a forte recuperação do período de julho a dezembro. O setor começou o ano passado com 48.908 funcionários, demitiu 6.672 em seis meses, e recuperou, ao longo do segundo semestre, 3.350.

    Na avaliação do diretor do Simecs, Getúlio Fonseca, esta diferença tende a ser reposta até o final deste semestre desde que haja mão de obra capacitada para exercer atividades especializadas no chão de fábrica. Segundo ele, existe atualmente oferta de cerca de 1,5 mil vagas para soldadores, prenseiros e ferramenteiros, dentre outros.

    “Parte desta mão de obra, demitida no período da crise, acabou indo buscar colocação no comércio e na construção civil e outra voltou para suas cidades de origem. E não adianta tentar trazer este pessoal capacitado de outros municípios porque o problema é nacional.”

    Outra constatação de Fonseca é que esta mão de obra capacitada está sendo valorizada com a elevação dos salários. Uma das saídas para garantir a qualificação tem sido o treinamento emergencial interno, embora gere custos adicionais para a empresa.

    “Esperamos que esta carência não acabe por prejudicar a recuperação do setor.”

    Foto: Azevedo (C), com Odacir Conte (E) e Getúlio Fonseca, aposta em recuperação, mas recomenda cautela | Crédito: Moacir Brehm, Divulgação/O Caxiense

    Publicado às 17h10 de 8 de fevereiro de 2010.

    Categoria: Colunistas, Economia, Geral | Tags: Roberto Hunoff

    Comentários

    • O Caxiense » Arquivo » Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos é detido
      12 de February de 2010 às 08:40

      [...] Simecs [...]

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