• Geral
    • Educação
    • Festa da Uva
    • Opinião do leitor
    • Destaques
  • Política
  • Economia
  • Cultura
    • Agenda Cultural
  • Esportes
  • Colunas
    • Marcelo Aramis
    • Carol De Barba
    • Boa Gente
    • Top 5
  • Multimídia
    • Vídeo
    • Galeria de fotos
  • Impresso
  • Assine!
  • Contato
  • Quem somos

Últimas notícias

  • VÍDEO – Edição 129
  • VÍDEO – Por que elas ganham menos
  • Agricultores caxienses saúdam novo Código Florestal
  • Jovens Adultos estreia nos cinemas de Caxias
  • Plano Municipal de Educação prevê turno integral em 50% das escolas públicas de educação básica
  • Opinião do leitor – edição 129
  • GALERIA DE FOTOS – Restauração das casas Galló
  • Nas bancas

    #129
  • Assine

    A festa é fruto da uva

    por Marcelo Aramis | 17/02/2010 às 20:28

    Os mais belos cachos de 359 expositores ocuparão 160 metros de painéis, concorrendo em 13 categorias

    Em 1931, quando nasceu para celebrar a colheita, a Festa da Uva se resumia a uma mostra de uvas no Recreio da Juventude. Ao longo de 28 edições, a festa cresceu ao redor da exposição das frutas, ganhou novos elementos, se reinventou. Com tantas atrações, manter a originalidade – e também a tradição – tornou-se um desafio. Hoje, 79 anos depois da primeira edição, a mostra ainda preserva sua essência e os Pavilhões continuam recebendo visitantes com um simples e antigo interesse: reverenciar o motivo da festa.
    Nesta edição, 359 expositores mostram os melhores cachos da safra e concorrem em 13 categorias. Cada produtor expõe três cachos por categoria inscrita – exceto na categoria conjunto, onde o que vale é a diversidade e o impacto visual do painel. Nessa categoria, a mais colorida do concurso, os produtores expõem no mínimo 10 variedades de uva. O cuidado e zelo na produção da uva transformam-se em talento e sensibilidade para montar um painel que mais parece com uma pintura. A qualidade da uva também é levada em conta, mas a composição da vitrine como um quadro de arte é diferencial dos premiados. O engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal da Agricultura Pecuária e Abastecimento Gilmar Onzi explica que, na mostra por variedades isoladas, o júri avalia aspectos como a sanidade, a maturação a uniformidade dos cachos, a pureza e o padrão varietal e comercial. Conforme Onzi, esses dois últimos critérios são os responsáveis pela incompreensão dos leigos sobre as amostras vencedoras. “Nem sempre os maiores cachos ganham. Muitas vezes um Merlot, por exemplo, é premiado com três cachos pequenos, uniformes e perfeitos. Uma uva para vinho não precisa ser grande”, esclarece. Para Onzi, a receita para conquistar uma das 27 passagens para a região vitícola do Vale do São Francisco (premiação do concurso) mistura qualidade de produção e experiência. “Tem que ter cuidado na produção para encontrar bons cachos. Mas também é preciso saber escolher os melhores do parreiral.” Na Estação da História e da Colheita, a exposição das frutas é perecível. “A uva tem uma boa durabilidade no painel. Cada produtor entrega três cachos para reposição. Mas é nos primeiros dias da festa que a uva está no seu melhor estado”, convida Onzi.

    Benvindo Formigheri, 67 anos, tem na memória a receita da boa produção. Colecionador de troféus no concurso da Festa da Uva, ele não revela todas as técnicas que desenvolveu para produzir cachos perfeitos em São Pedro da 3ª Légua. “O regulamento exige uva de qualidade. Tem que ser padrão. Agora, cada um tem que saber o que fazer para chegar no padrão”, compete. Formigheri marcou os melhores cachos e cobriu-os com um cone de plástico – o chapéu chinês – para proteger os grãos do ataque de pássaros. No parreiral, as uvas são tratadas como candidatas de um concurso de misses. Formigheri selecionou mais “candidatas” do que o necessário para a exposição: poucas passam pela primeira etapa do concurso. “Não sei quantos desses cachos vão estar bons até o dia 17. Um grão apodrece ou é bicado por um passarinho e o cacho já não serve mais.”
    Um dos cuidados mais importantes na produção de uvas é o raleio. Desde o aparecimento dos primeiros grãos até o amadurecimento, Formigheri percorre os parreirais esculpindo uvas. “Não pode deixar a feminela (ramificação superior do cacho) muito grande, o cacho não pode ser muito comprido e as bagas têm que ser todas do mesmo tamanho. O cacho tem que ter formato de coração. A uva tem que ficar no padrão que as mulheres vão escolher quando virem no mercado”, teoriza. Para agradar as mulheres que escolhem as uvas no mercado, Formigheri raleia cacho por cacho em um desafio de paciência e delicadeza. Trabalha sentado em um banco que ele mesmo construiu para ficar à altura das uvas. Enfrentando o clima quente e abafado sob o parreiral coberto de plástico, Formigheri garante: “É serviço pra homem”.
    O agricultor é zeloso inclusive em como as uvas deveriam aparecer nesta reportagem. Deveriam estar belas, claro. Mas não as suas escolhidas. Estas foram protegidas da lente do fotógrafo e só serão vistas na exposição durante a Festa da Uva. Como um vestido de miss, que só é revelado no concurso, Formigheri protege suas uvas para evitar cópia e surpreender concorrentes. No fundo, Formigheri conta com o prêmio que já o levou aos vinhedos da Itália, Chile e Argentina. Nos últimos concursos, suas uvas têm ficado entre as vencedoras em diversas categorias. Se o regulamento permitisse premiação cumulativa, Formigheri colecionaria passagens além de troféus. Mas concorda com a regra. “Um ano viajo eu, no outro o meu filho. Acho muito certa essa lei. Se tu ganha seis prêmios teria que viajar com a família inteira e ainda chamar os parentes?! Não, senhor!”, diverte-se o campeão.

    “A uva tem que ficar no padrão que as mulheres vão escolher quando virem no mercado”, diz o agricultor Benvindo Formigheri

    O clima de concurso de beleza também está na propriedade de Euclides, 62 anos. E o parreiral é a passarela. Além da uva, Venturin se preocupa com a limpeza do parreiral, apara a grama e cultiva jardins. “A gente trabalha bastante pra manter a apresentação. Metade da produção é vendida para quem vem comprar aqui mesmo”. No vinhedo que se tornou cartão postal, a uva é cartão de visitas. “A exposição nos Pavilhões ajuda a divulgar a nossa marca, que é uma das mais conhecidas em Caxias.” Em uma sala na entrada do parreiral, Venturin expõe os troféus que conquistou com as suas uvas. Entre o concurso da Festa da Uva e os de outros municípios, já são mais de 40 prêmios. O primeiro é de 1975 e está em nome do pai dele, Severino Martini Venturin, falecido há 12 anos. “Eu me criei embaixo do parreiral e aprendi muito. Não sou agrônomo e não sei explicar como agrônomo. Sei te falar da prática que vai além dos livros.”
    Venturin escolhe as uvas que vão para a exposição nos Pavilhões na véspera da entrega. “Não adianta escolher antes. O cacho que você vê hoje, amanhã não é o mesmo”. O ofício de produzir cachos dignos de prêmio e saber escolhê-los, Venturin herdou do pai e, com ajuda da esposa, transmite aos dois filhos. “É a minha família que mantém isso daqui. É trabalho para quatro pessoas durante quase o ano inteiro.” Os prêmios de Venturin são tantos que há quem desconfie. “Tem gente que diz que só ganham os puxa-sacos. Se fosse por isso preferia nem ganhar. Participo porque gosto da Festa da Uva. Mas quero ver premiados os que realmente merecem.”

    “Não adianta escolher antes. O cacho que você vê hoje, amanhã não é o mesmo”, ensina o multicampeão Venturin

    O local da exposição de uvas nos pavilhões é estratégico. A visita ao parque inicia pelo Centro de Eventos, onde 160 metros de painéis de uvas dão as boas-vindas e atiçam o paladar. Mais adiante, no Palácio das Uvas, a fruta é oferecida à moda italiana: farta. Conforme o responsável pela logística de armazenamento, José Taiarol, serão distribuídos de 250 a 300 toneladas. Ele explica que nesta edição a logística de distribuição foi aperfeiçoada e a Festa vai oferecer uvas com melhor qualidade. “A grande inovação é o sistema de paletização. O produtor entrega as caixas nos paletes (estrados de madeira) e a uva vai direto da empilhadeira para a câmara fria, com mínimo de manuseio”, explica. Outra novidade é o transporte. Da Companhia de Silos e Armazéns (Cesa), na RSC-453, onde está armazenada, a uva segue em caminhões frigoríficos para os Pavilhões. Uma câmara fria mantém a uva refrigerada no Palácio das Uvas.
    Para realizar a distribuição de uva, a Festa desembolsa mais de R$ 370 mil, entre a compra da uva, o armazenamento, o transporte e a distribuição. Taiarol calcula que sejam distribuídas de oito a 10 toneladas de uva a cada edição do desfile. No Palácio das Uvas, o consumo pode chegar a cerca de 30 toneladas aos domingos. “Só não se consome mais pela dificuldade logística.” Taiarol se refere à estrutura dos Pavilhões. Nas outras edições da Festa da Uva, os visitantes recebiam um ticket que dava direito a apenas uma entrada no Palácio. A partir da festa de 2008, o acesso foi liberado. Segundo Taiarol, a fila e a própria lotação do Palácio, principalmente aos finais de semana, inibem a entrada de mais visitantes na área de degustação. “Para atender a toda a demanda, precisaríamos de um espaço muito maior.” Ainda assim, a qualidade da uva oferecida e a oportunidade de degustá-la no mirante do Palácio, com uma vista panorâmica de Caxias, valem o esforço.

    Quem vende a uva para a Festa já está acostumado com a exigência de qualidade e contente com o retorno financeiro. Das 75 toneladas de sua produção na Linha 40, Jandir Luvison, 53 anos, deve vender 15 toneladas para a Festa, a R$ 1 ao quilo. Luvison perdeu quase metade da safra com a chuva de pedra. Agora, ainda contabilizando o prejuízo, diz que gastou R$ 0,50 para produzir cada quilo de uva – isso, porque “na colônia não se calcula a mão de obra” – mas está satisfeito com o que vai receber. “O preço está ótimo. Melhor do que vender na cantina ou na Ceasa”, avalia. Há 24 anos, quando entregou a primeira carga de uvas para a Festa, Luvison juntou dinheiro suficiente para comprar uma caminhonete. O lucro nessa safra ainda é pouco para realizar o novo projeto de Luvison – implantar o sistema de plasticultura – “mas já dá pra começar a pensar”.

    Valter Munhagra, 55 anos, é um novo fornecedor da Festa da Uva. Por causa das perdas na safra, vai entregar somente três toneladas. Mas garante que vai oferecer o melhor do seu produto. “A minha uva não está bonita esse ano. Hoje foi um dia inteiro para colher só isso. E é só o que eu vou entregar. Teria vergonha de entregar uma uva feia para ser servida para o povo”, conforma-se Munhagra. A uva que não tem o padrão de qualidade exigido pela Festa da Uva é aceita para a produção de vinhos, mas o valor de mercado é bem menor. “Vender para a Festa da Uva vale muito a pena. Para cada quilo que eu entrego aqui, teria que entregar dois e meio na cantina para ganhar o mesmo valor. E na cantina o cara não sabe quando recebe. Às vezes, espera até um ano. Na Festa da Uva, dizem que o pagamento é certo.”
    Celso Cechin, 40 anos, teve mais sorte do que a maioria dos viticultores da região. A safra deste ano será maior do que a do ano passado. Das 150 toneladas que pretende colher dos seus parreirais, em Loreto, onde trabalha com a esposa e os pais, vai entregar seis para a Festa da Uva. “A gente não pode exigir que a Festa compre toda a produção. Tem que dar oportunidade para todo mundo.” O restante, Cechin vende para a produção de vinhos. E o descumprimento do preço mínimo da uva também afeta quem fez uma boa safra. “As cantinas alegam que venderam pouco e pagam pouco.” Essa é primeira vez que Cechin fornece para a Festa da Uva. “Tenho que vender o produto da melhor qualidade pra poder vender sempre”, espera o viticultor.

    Foto: Uvas de concurso são protegidas contra o tempo e os pássaro, cuidados grão a grão | Crédito: Maicon Damasceno

    Da versão impressa

    Categoria: Geral, Impresso | Tags: Festa da Uva,Impresso

    Follow us on foursquare

    Comentários

    • O Caxiense » Arquivo » Cerca de 5 mil inuaguram Espaço Multicultural da Festa da Uva
      8 de February de 2010 às 16:52

      [...] fevereiro, para prestigiar as atividades que marcaram a inauguração do Espaço Multicultural da Festa da Uva. A programação iniciou às 15h com apresentação de Os Campeiros, César de Freitas e Volmir [...]

    • O Caxiense » Arquivo » História e cultura são expostas nas vitrines
      10 de February de 2010 às 17:52

      [...] e típicos da imigração italiana. O programa Tirando o pó, que faz parte da programação da Festa da Uva 2010, está com as inscrições abertas. Funcionários do Museu Municipal estarão disponíveis para [...]

    • O Caxiense » Arquivo » Desfiles da Festa da Uva serão mais curtos e com menos figurantes
      17 de February de 2010 às 16:18

      [...] >>> A festa é fruto da uva [...]

    • O Caxiense » Arquivo » Autoridades abrem a 28ª Festa da Uva
      18 de February de 2010 às 17:10

      [...] >>> A festa é fruto da uva [...]

    • O Caxiense » Arquivo » Abertura da Festa da Uva tem Orquestra tocando música que lembra som de trem
      18 de February de 2010 às 19:00

      [...] >>> A festa é fruto da uva [...]

    • O Caxiense » Arquivo » VÍDEOS e FOTOS: Festa da Uva realiza primeiro desfile de carros alegóricos
      18 de February de 2010 às 20:29

      [...] >>> A festa é fruto da uva [...]

    • O Caxiense » Arquivo » Mais de 70% dos hotéis estão ocupados para Festa da Uva
      19 de February de 2010 às 08:56

      [...] >>> A festa é fruto da uva [...]

    • O Caxiense » Arquivo » Festa da Uva tem 800 pontos de visitação 
      23 de February de 2010 às 11:17

      [...] >>> A festa é fruto da uva [...]

    • O Caxiense » Arquivo » Orquestra de Sopros e Coro Municipal apresentam Beatles na Festa da Uva
      23 de February de 2010 às 12:14

      [...] >>> A festa é fruto da uva [...]

    • O Caxiense » Arquivo » Caderno de receitas ensina 500 pratos tradicionais ou com ingredientes típicos da região
      24 de February de 2010 às 10:14

      [...] >>> A festa é fruto da uva [...]

    • O Caxiense » Arquivo » Confira a programação cultural da Festa da Uva desta quarta
      24 de February de 2010 às 11:20

      [...] >>> A festa é fruto da uva [...]

    Deixe seu comentário:

    

    Na Rede

    • - Twitter
    • - Orkut
    • - Facebook
    • - Plurk
    • - Flikr
    • - Youtube
    • - Foursquare
    • - Tumblr

    Aplicativos

    • - iPad
    • - iPhone
    • - Android

    Assinaturas

    • - Trimestral: R$ 30,00
    • - Semestral: R$ 60,00
    • - Anual: R$ 120,00 (2x R$ 60,00)

    Preencha o formulário aqui, envie
    e-mail para assine@ocaxiense.com.br ou ligue (054) 3027-5538. Assinaturas de fora de Caxias do Sul: entre em contato para consultar os valores.

    Contato

    (054) 3027-5538
    ocaxiense@ocaxiense.com.br



    Anuncie

    pita.loss@ocaxiense.com.br


    Copyright © O Caxiense 2011. Todos direitos reservados.