Solução nociva contra ervas daninhas
por O Caxiense | 05/12/2009 às 11:40
Sentado na ponta da mesa de reuniões da sala da diretoria da Codeca, Adiló Didomenico tira lentamente os óculos, segura-os na mão e diz, desanimado: “Estamos retirando, por ora, o projeto da capina química em Caxias”.
A decisão de tentar implantar o novo processo foi anunciada pela Companhia de Desenvolvimento de Caxias no final do mês de setembro, e desde lá tem sido a maior causa de desconforto e discórdia que Adiló vivenciou nos cinco anos em que ocupa a presidência da empresa pública. O causador de tanta agitação é um pesticida da categoria dos herbicidas chamado glifosato. Mais conhecido pelo nome comercial – Roundup, da multinacional Monsanto –, o glifosato é o herbicida mais vendido do mundo, principalmente para a produção agrícola.
A atuação do componente químico foi estudada durante quatro anos por engenheiros da Codeca para substituir as roçadeiras hoje responsáveis pela árdua eliminação das ervas daninhas na área urbana. Com a proposta, ao invés das roçadeiras, os funcionários da Codeca diluiriam 0,8% de glifosato na água e, com um pulverizador, aplicariam a solução no entorno do meio fio, avançando até dois metros em direção ao centro das ruas.
Escute o depoimento da repórter Valquíria Vita:
Os ganhos seriam tanto para a Codeca quanto para a cidade e o meio ambiente, garante Adiló. Com a extinção da capina manual, evitaria-se o rápido crescimento do mato, o prejuízo às árvores (que descascam quando atingidas involuntariamente pelas lâminas), a queima de óleo das roçadeiras e os acidentes como danos a vidros, faróis, latarias e, principalmente, a pedestres, que ao longo dos anos acarretaram duras indenizações cobradas da empresa.
O glifosato, porém, leva junto com seu nome uma má fama, simplesmente pelo fato de ser um pesticida. Se ele é capaz de secar e matar plantas, surge a preocupação a respeito do dano que pode causar à água, aos animais e às pessoas. “O ingrediente ativo é de baixa toxicidade, mas a formulação comercial inclui um surfactante que aumenta a eficácia do produto, mas que também aumenta, e bastante, a toxicidade”, resume a doutora em epidemiologia e professora da Faculdade Cenecista de Bento Gonçalves, Neice Müller Xavier Faria.
Além disso, mesmo que o Conselho Estadual do Meio Ambiente, por meio da Resolução 119/2006, autorize a capina química no Rio Grande do Sul, há uma lei municipal de 2004 que a proíbe em Caxias. Com a proposta da Codeca, Caxias seria a única cidade do Estado a utilizar a prática. Em outras localidades sabe-se apenas de tentativas frustradas. O município gaúcho de Cerro Largo suspendeu a aplicação da lei local que possibilitava o uso da capina com a utilização de substâncias químicas nas áreas urbanas em 2007. O mesmo ocorreu na cidade de Sete de Setembro na metade deste ano.
Na segunda-feira, dia 30, Adiló surpreendeu ao admitir que estava com vontade de retirar o projeto, afirmando que houve uma má compreensão por parte da população, que, em vez de discutir a questão técnica e ambiental, levou para o lado político e ideológico. Ele acredita que as pessoas contrárias à prática são as que têm conceitos antigos. “Eles têm preconceito como eu também tinha”, diz Adiló.
O presidente da Codeca ainda aguarda a decisão dos 22 membros do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema), que formou uma comissão para discutir a proposta. A definição deveria ter saí-do na manhã de quarta-feira, dia 2. Dois dos conselheiros, porém, adiaram a discussão, que já se arrasta há semanas, aumentando as expectativas dos contrários e dos favoráveis à capina química. Uma nova reunião ficou marcada para 17 de dezembro.
Após conversar com seus engenheiros, um dia depois de admitir que poderia retirar o projeto, Adiló voltou atrás. Disse que pretende ampliar a discussão a partir de janeiro de 2010. A equipe vai, até lá, munir-se de mais argumentos para tentar implantar a capina. O mais forte deles, segundo o presidente, é o uso do herbicida na União Europeia.
No final de novembro, Adiló e uma comitiva da Codeca e da prefeitura partiram rumo à Europa com o objetivo de visitar a moderna destinação de resíduos utilizada pelos países do outro lado do Atlântico. A viagem foi paga pela Codeca e prefeitura.
Visitando Itália, Alemanha e Espanha, a comitiva analisou também a prática de limpeza urbana. O uso da capina química, autorizado há dois anos em todos os países da Europa, encantou Adiló, que achou ali uma esperança de convencer Caxias do Sul de que essa é uma prática avançada e, principalmente, segura ao meio ambiente. “Se eu tivesse ido para a Europa e eles tivessem dito que estavam abolindo a capina química seria uma questão encerrada. É válido copiar boas ideias.”
Aplicação da capina química exigiria que moradores evitassem o local pulverizado por 24 horas
O fracasso em tentar demonstrar que o projeto seria benéfico à natureza foi o que mais frustrou Adiló. “A Codeca tem 23 ações pró-ambiente. Em tudo o que fazemos procuramos melhorar”, diz, acrescentando que todas essas práticas não podem ser simplesmente jogadas no lixo (sem trocadilhos) por causa de uma ação mal interpretada.
Caçador esportista há muitos anos, Adiló se diz um admirador do equilíbrio entre homem e natureza, principalmente no que se refere à preservação dos pássaros. “Nas regiões onde se aplica os herbicidas na soja, não se encontra caça. Então eu tinha receio que esses produtos também prejudicariam os pássaros. Fui em busca de conhecimento, contratei pesquisas, testes de campo, e eles deram residual zero, nenhum risco, nenhuma contaminação”, diz o presidente, afirmando que não existe nenhum estudo científico que apresente qualquer risco do produto.
A opinião de outros especialistas, entretanto, não é tão otimista, tampouco tão tranquilizadora. Mesmo sem nunca ter fumado um cigarro, a doutora em Toxicologia e pesquisadora da Universidade de Passo Fundo (UPF) Mara Regina Tagliari Calliari tem uma tosse seca insistente. Os médicos chegaram a investigar a hipótese de uma tuberculose. A única explicação que conseguiram encontrar para o surgimento da tosse e de uma constante rinite alérgica foi a exposição que Mara teve ao glifosato entre os anos de 2001 e 2005. Nesse período, a pesquisadora trabalhou com o componente químico durante testes em ratos e começou a ter urticárias só de aplicar o produto.
Mara começou a se interessar por agrotóxicos em 1983, quando era estudante de Enfermagem na mesma faculdade onde hoje dá aula a jovens. Despertava sua curiosidade o grande número de bebês que nasciam com má formação. Foi quando começou a estudar Toxicologia.
Ao longo dos anos, Mara participou e liderou pesquisas sobre o tema que tanto a instigava. Analisando as reações do glifosato em seres humanos, percebeu efeitos no sistema reprodutivo. “Há um aumento no número de abortos e partos prematuros nas famílias rurais que têm contato com o glifosato”, afirma.
Alguns dos sintomas que podem surgir por causa do contato com o produto, de acordo com a pesquisadora, são irritação nos olhos, na pele, dor de cabeça, palpitação, náusea, entorpecimento, alteração respiratória, dano hepático e renal. “A ação do glifosato no corpo é cumulativa, ou seja, quanto mais produto no organismo, mais graves serão as consequências”, resume Mara.
Os trabalhadores que teriam que aplicar o produto na capina química poderiam ser afetados, principalmente se não estiverem usando os equipamentos de proteção recomendados, segundo a professora Neice Müller Xavier Faria. “Os riscos mais reconhecidos são sintomas de intoxicação aguda, principalmente irritação de olhos, pele e mucosas. Conforme a intensidade da exposição também pode ocorrer congestão nos pulmões.”
Há uma certa dificuldade em documentar doenças relacionadas aos agrotóxicos. Mas, como alerta Neice, o fato de não se ter registros de problemas não significa que eles não ocorram. “Existem limitações dos profissionais em reconhecer os sintomas, agravadas pela inexistência de exames laboratoriais que documentem a intoxicação por glifosato. Na prática, só fazemos diagnósticos de intoxicações agudas, e olhe lá. Além disso, muitos casos diagnosticados não foram notificados. Assim, o mais provável é que exista sub-registro dos casos ocorridos”, explica.
“Se um ambientalista consumir um 1 quilo de sal, eu tomo 1 litro do produto”, diz Silvestre, da Codeca
A Codeca afirma que os funcionários estariam devidamente protegidos para a aplicação. “Mas esses equipamentos de proteção (macacão, luva, óculos e máscara) foram produzidos para o hemisfério norte. É humanamente impossível usá-los num dia quente. O trabalhador desidrata. E se usar só a máscara não vai adiantar, porque o produto entra pela pele”, diz Mara.
Só na cultura de soja, o glifosato é utilizado em 100% das lavouras. Esse argumento é suficiente para Mara justificar por que é contra a capina química. “Na rodovia eu concordo que tenha que usar, e é onde é permitido para acabar com o mato. Mas na área urbana, não. Porque já está no ar, na água, na cultura de frutas, vegetais, grãos”, enumera.
Assim que a diretora de marketing da Sociedade Amigos dos Animais (Soama), Natasha Oselame Valenti, ouviu a notícia da possível implantação da capina química em Caxias, ela se preocupou instantaneamente com a segurança dos animais. Foi logo à internet atrás de informações sobre o glifosato. O Google não foi nada bondoso com o produto, e Natasha logo se alarmou ao ler algumas discussões sobre o glifosato em países como Argentina e Canadá. “Se tem tanta polêmica sobre o assunto, tem que ser muito bem pensado. Não consigo entender a concepção da Codeca de que é mais barato e melhor usar um produto químico do que a capina manual, que fornece emprego e é mais barata”, opina Natasha.
Ela reforça que, se aprovada a medida, a Soama vai fiscalizar, e se souber de casos de animais contaminados vai entrar com ação judicial contra a Codeca. “Pra que trazer essa polêmica pra Caxias quando já temos tantos problemas maiores?”, questiona.
O princípio da precaução é, segundo o professor de Direito Ambiental da Universidade de Caxias do Sul (UCS) Gilson Cesar Borges de Almeida, a melhor tática a ser seguida em situações delicadas, como esta de aplicar pesticida dentro da cidade. “Há a necessidade de apresentar um estudo técnico à população. Quando vai ocorrer uma ação ambiental que possa causar dano ao meio e à qualidade de vida das pessoas e não existe certeza científica sobre as suas consequências, deve-se adotar a cautela.”
Além da capina manual e da capina química, existem outras formas de tirar o mato que ocupa parte de ruas e calçadas. “Uma opção que poderia ser estudada é uma máquina a vapor, acoplada a um trator. Ela ajuda na eliminação do mato, através da aplicação sob alta pressão do vapor de água superaquecido”, explica Luís Carlos Diel Rupp, engenheiro agrônomo e coordenador do Centro Ecológico de Ipê, uma organização não-governamental que trabalha para viabilizar avanços sustentáveis na produção agrícola mediante a adoção de tecnologias alternativas.
A capina a vapor, de acordo com Diel Rupp, seria mais cara que a química na hora de adquirir as máquinas. No entanto, como o herbicida não é barato, com o decorrer do tempo os gastos seriam equivalentes. Mesmo se não fossem, o engenheiro acredita que a saúde das pessoas deve ser priorizada. “A química é certamente a pior escolha. Não adianta investir milhões para despoluir um rio, se estamos jogando veneno que irá direto para a água. No verão, onde mais tem que aplicar herbicida, esse veneno evapora, vai para as casas. As pessoas vão ser vítimas em escala”, dispara o engenheiro.
Ele acrescenta que o glifosato gera doenças também nas plantas, já que as enfraquece. “Se usarem sempre glifosato, vão gerar plantas resistentes a ele. Não vai mais funcionar e daí terá que adicionar outro herbicida”, prevê.
Um pulverizador abastecido com glifosato diluído em água seria capaz de fazer o trabalho de 20 roçadeiras
Agostinho José Silvestre, engenheiro agrônomo da Codeca, entende que quando surge uma inovação surge também uma rota de colisão com a sociedade. Ex-líder estudantil, Silvestre conta que lutou pelo direito ao voto durante a adolescência. Considera-se, portanto, a favor da democracia, e por isso, a favor do debate que se travou a respeito do projeto.
João Osório Martins, engenheiro químico da empresa, parece já ter perdido a paciência com a tal discussão. “É bem-vinda, porém com conhecimentos técnicos. E tem gente que opina sobre os assuntos mais diversos sem esses conhecimentos.”
Osório realizou a pesquisa sobre o glifosato para a Codeca anônima e gratuitamente. Só foi contratado agora, pois alguém teria que assumir a responsabilidade técnica pela capina. “É preciso de um bom técnico, e nós estamos cheios de bons técnicos, que aplique as boas práticas de recuperação para seguir o trajeto natural do ser humano que é o desenvolvimento, o andar pra frente”, argumenta Osório. O engenheiro químico conta que sua mãe morreu aos 50 anos. Hoje, ele tem 53. “E ao que se deve esse aumento da expectativa de vida das pessoas? À boa técnica, à química, às mudanças”, acredita ele.
Juntos, os dois engenheiros alegam ter certeza de que o controle através de secantes das ervas é um avanço em termos tecnológicos e ambientais. Com essa técnica, diminuiriam as emissões de gases das mais de 100 roçadeiras da Codeca ligadas diariamente, que também atrapalham pelo barulho. “As pessoas não entendem que não existe mais nenhum centímetro de ambiente natural dentro do perímetro urbano de Caxias. Buscamos então condições de viver da melhor forma possível, absorvendo as modificações ambientais que fomos obrigados a implementar para não morrermos”, explica Silvestre, que se descreve como um “ambientalista na prática”.
O engenheiro químico explica que, pela lei estadual, os 496 municípios estão autorizados a usar a capina química. Ele não cita, porém, nenhuma cidade que a esteja usando, só diz que algumas começaram a utilizar sem controle e acompanhamento e tiveram, por causa disso, “alguns problemas”. O controle que seria adotado em Caxias é o uso apenas em lugares onde é extremamente necessário. Não haveria, portanto, capina química em praças, jardins e áreas de bacias.
Para tranquilizar as pessoas, a Codeca planeja seguir um período de adaptação. “Se a lei for aprovada não vamos sair pulverizando a cidade, nem com aviões largando herbicida no dia seguinte. Vai ser um processo lento e progressivo”, diz Silvestre.
A respeito do produto testado, Adiló afirma que os testes foram feitos com o glifosato, mas que poderia ter sido com algum outro componente químico. Na lista de produtos que o presidente guardava cuidadosamente em uma pasta havia também as opções Diuron, Imazapyr e Sulfentrazona. “Está sendo proposto o glifosato, um aminoácido que apenas inibe o crescimento natural da planta”, explica Osório, com a voz arrastada de quem já está cansado de falar a mesma coisa.
Para se fazer entender, ao abrir o grosso livro de química que carregava embaixo do braço, Osório mostrou uma tabela internacional de toxidades. Quanto mais para baixo da tabela, mais tóxico. Quanto mais para cima, menos tóxico. E o glifosato lá estava, quase no alto da tabela, junto da aspirina. “Ninguém está brincando aqui. A diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem, eu sempre digo.”
Silvestre completa dizendo que o glifosato pode ser menos tóxico do que o sal de cozinha. “Se um ambientalista consumir um quilo de sal de cozinha eu tomo um litro do produto (glifosato), sem problema nenhum. Tenho certeza de que ele vai falar com São Pedro antes do que eu”, provoca.
Nenhum dos dois diz ter conhecimento de acidentes comprovados envolvendo o produto. “As pessoas na nossa região têm alimentação inadequada. Elas podem arrumar qualquer argumento para dizer que ficaram doentes por causa da aplicação do glifosato”, desacredita Silvestre.
O engenheiro agrônomo afirma que não vê como o produto pode fazer mal à saúde, já que está nas prateleiras dos mercados. De fato, o glifosato é vendido em agropecuárias. O Roundup custa em média R$ 12 ao litro. É vendido para controlar plantas daninhas. Aos compradores, a loja informa sobre as rígidas precauções que devem ser observadas.
A embalagem do galão traz, na frente, o desenho de uma caveira sobre ossos cruzados, com os dizeres “CUIDADO VENENO”. Ao lado, alguns desenhos indicam os cuidados, como o uso de material de proteção, que é obrigatório. Além de macacão, óculos, botas, luvas e máscara, é necessário também uma touca árabe e um avental. Constam na embalagem do produto informações sobre sua toxicidade: “Classificação Toxicológica III – Medianamente Tóxico” e “Classificação quanto ao Potencial de Periculosidade Ambiental III – Produto Perigoso ao Meio Ambiente”.
Não é recomendado reutilizar a embalagem depois de esvaziada (sua devolução é obrigatória), nem comer, beber ou fumar durante o manuseio e a aplicação. Chama a atenção no verso da embalagem a indicação de evitar o uso do glifosato na presença de ventos fortes ou nas horas mais quentes do dia, e também a de não transportar o produto junto com alimentos, medicamentos, rações, animais ou pessoas.
O glifosato também aparece na formulação de outros pesticidas vendidos sem qualquer restrição. Sua aplicação é indicada para pequenas áreas e calçadas. Basta diluir em água o conteúdo já líquido e colocar sobre as ervas daninhas.
Se bem controlada, afirma Osório, a capina química pode ser feita apenas uma vez por ano, embora haja quem defenda que seja necessário duas ou três. “Também não é bom cruzar a rua onde o produto foi aplicado antes de 24 horas.”
Mas o esforço vale a pena, segundo os engenheiros. “Tenho certeza de que as pessoas vão pedir pra passar glifosato na sua rua. Elas vão agradecer”, acredita Silvestre.
Entretanto, a agilidade que a nova capina traria – o pulverizador faria o trabalho de 20 roçadeiras – é motivo de preocupação para o Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza Urbana (Sindilimp). O presidente, Nestor Alves Borges, diz que a Codeca teria garantido ao sindicato que o quadro de funcionários não sofreria cortes, mas que essa questão ficou no ar. “Tomamos a decisão de que seremos contra até que se justifique com a questão técnica que não é prejudicial à saúde pública e dos trabalhadores, e que ninguém vai ser demitido”, afirma Borges.
Por enquanto, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) não está autorizando licenças para as cidades gaúchas implantarem a capina química porque ainda não chegou no mercado o glifosato com rótulo N/A, ou seja, não agrícola. A Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) protocolou na semana passada um pedido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), solicitando que esta determine aos fabricantes que coloquem a indicação no rótulo.
Com isso, a Fepam poderá liberar os processos de todos os municípios que estão entrando com pedidos. “Esperamos que o Ministério do Meio Ambiente nos passe nos próximos meses um regramento, dizendo o que pode e o que não pode, que a resolução estadual já esteja com regulamentação e que a Anvisa notifique os fabricantes. Daí nós poderemos voltar a esta discussão”, explica Adiló.
A retomada do assunto deve ser tratado pela empresa pública de forma bem diferente da primeira vez, quando imaginou-se que seria uma decisão simples. Embora tenha que recuar hoje, Adiló Didomenico diz com convicção que este produto será a grande solução ambiental e para a qualidade da limpeza urbana no futuro.
Enquanto isso, a cidade vai perder muito, alerta ele. O mato que cresce nas ruas e canteiros não espera pela decisão do Condema. E as chuvas que castigam Caxias impedem que os funcionários realizem a capina manual. Segundo números apresentados por Adiló, mais de 80% dos dias nos últimos três meses tinham sido chuvosos. “Para este ano e o começo do ano que vem vamos ter que aguentar a capoeira alta que tomou conta.”
O maior pesar, para ele, é saber que mesmo depois de quatro anos de estudo outras cidades gaúchas podem ser as pioneiras na regulamentação da capina química. Caxias do Sul, a cidade que se destaca pela coleta de lixo mecanizada, um dos maiores orgulhos da Codeca, não deve ser, desta vez, a novidade.
Da versão impressa.
















Comentários
7 de December de 2009 às 08:00
Caramba, que texto grande, não estou mais acostumado com isso, heuehuehuehe
Brincadeiras à parte, ótima matéria. É improtante que o público tenha conhecimento desses processos para que possa entender o que está acontecendo. Informação bastante pertinente. Ah, aproveitando, gosteimuito da versão impressa, agora sinto que posso ler um jornal de verdade e de Caxias.
7 de December de 2009 às 11:31
Muito boa a matéria, Val.
Já temos veneno por tudo, agora querem espalhar pela cidade para que as pessoas vão morrendo lentamente sem saber do quê? Sou contra a capina química. Enquanto alguns querem um planeta mais limpo e saudável, outros querem argumentar que se o pesticida é vendido livremente podemos usar à vontade pois supostamente não fazem mal (cigarro e veneno de rato são vendidos livremente e nem por isso são prejudiciais à saúde humana). Dizer que outras cidades, estados ou mesmo países já utilizam, como se isso fosse sinal de modernidade, também não convence. Alguns locais que somente visam o lucro volta e meia estão na mídia com desastres ambientais, qualidade do ar a zero,intoxicação de pessoas e surgimento de novas doenças. É de se perguntar: é isso que queremos para Caxias do Sul?
7 de December de 2009 às 11:36
Retificando: (cigarro e veneno de rato que são vendidos livremente e nem por isso NÃO são prejudiciais à saúde humana)
17 de December de 2009 às 14:57
[...] ENTENDA O CASO: Leia aqui matéria publicada na versão impressa do jornal O Caxiense. [...]
20 de January de 2010 às 17:08
[...] últimas reuniões do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) a capina voltou a ser o assunto principal. Dessa vez, a capina química foi deixada de lado, depois de [...]
12 de March de 2010 às 15:35
[...] >>> LEIA TAMBÉM: Solução nociva contra ervas daninhas [...]
24 de January de 2011 às 07:34
[...] e também pela Fepam. Ainda assim, a Codeca mantém os planos de utilizá-lo – que começaram ainda em 2009, quando a companhia tentou aprovar uma lei na Câmara de Vereadores autorizando a aplicação do [...]
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